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Agricultoras do sertão baiano investem na produção sustentável de umbu

Criada em 2004, a cooperativa reúne atualmente 271 produtores rurais, principalmente mulheres (Foto: Coopercuc/Divulgação)

Na Bahia, o prolongado período de chuvas de 2019 explica os pés carregados de umbu em propriedades do sertão. Símbolo da Caatinga, a fruta terá a maior safra dos últimos três anos. Estima-se que até 80 toneladas poderão ser colhidas até o final deste mês. A colheita começou em dezembro passado.

O umbuzeiro é uma espécie endêmica da Caatinga, ou seja, desenvolve-se apenas nesta região específica. É por isso que o umbu é o principal elemento da cadeia produtiva associada à diversidade biológica desse bioma.

A fruta é a base da economia familiar e da alimentação dos povos sertanejos, principalmente no Território do Sertão do São Francisco, área que engloba dez municípios baianos: Uauá, Campo Alegre de Lourdes, Canudos, Casa Nova, Curaçá, Juazeiro, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho.

O sabor cítrico adocicado do umbu ganha ainda mais vida com as receitas locais. São cremes, doces, sorvetes, compotas, licores, conservas, polpas silvestres e até cervejas. Na Cooperativa Agropecuária Familiar de Uauá, Canudos e Curaçá (Coopercuc), o que mais sai é o doce de corte de umbu.

De um catálogo de cerca de 20 produtos feitos pela associação e comercializados pela linha Gravetero, os itens à base de umbu são responsáveis por 40% do faturamento. No ano passado, a cooperativa teve lucro de 1,4 milhão de reais.

Mas a presidente da organização, Denise Cardoso, lembra que nem sempre foi assim. “O umbu chegava a ser desperdiçado, pois os extrativistas não tinham como dar vazão adequada à produção. Foi assim que a cooperativa surgiu para, além do trabalho social na região, ajudar no incremento da renda das famílias”, explica a gestora.

Criada em 2004, a cooperativa reúne atualmente 271 produtores rurais, mulheres em sua maioria. O uso sustentável da biodiversidade da Caatinga no Território do Sertão do São Francisco conta com o apoio do Projeto Bem Diverso.

A iniciativa é o resultado de uma cooperação entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Muito legal!!!
    Gosto muito de umbu. Só que há um doce chamam de "Tijolo de umbu", na região do cerrado, não sei lá no sertão, que é um doce anti-ecológico, pois é feito da raiz do umbuzeiro, isso mata a árvore!

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