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Artista alemão cria um mundo em que os animais são livres

“Essa utopia de um mundo sem exploração animal não se limita aos animais terrestres, como porcos, vacas e galinhas, mas inclui todos os outros animais, como peixes e insetos. Hoje simplesmente não há necessidade de comer animais” (Artes: Hartmut Kiewert)

No mundo criado pelo artista alemão Hartmut Kiewert na série “Animal Utopia” os animais são livres. A agropecuária ou qualquer atividade que se volte à exploração de seres não humanos sencientes já não existe. Eles podem ir e vir e os respeitamos de maneira incondicional.

Como a criação de animais para consumo é parte do passado, já não existem tantos animais domesticados antes mortos às dezenas de bilhões por ano.

Aqueles que ainda habitam o planeta, como últimos representantes de tantas gerações que acabaram nos matadouros, são tratados com exímia consideração porque são um símbolo moral da evolução humana na relação com outras espécies.

Com o abolicionismo animal, Hartmut Kiewert vislumbra um mundo mais harmonioso, mais colorido e mais pacífico. As cores evocativas remetem tanto à diversidade quanto à tolerância semeada pela progressão de uma realidade em que o desejo de viver deixou de ser visto como uma prerrogativa essencialmente humana.

Sobre a idealização desse universo, o artista explica que desde 2008, quando começou a viver o veganismo, a relação humano-animal logo tornou-se constante em sua arte.

“Minhas pinturas são imaginações de uma relação humano-animal que parece incomum e nova à primeira vista, mas ainda é possível: representações utópicas dos chamados ‘animais da fazenda’ e outros animais livres dos limites da exploração humana e colocados em diferentes contextos. O objetivo é mostrar uma relação humano-animal respeitosa, em pé de igualdade”, reforça.

Kiewert tem como preocupação evocar uma percepção de animais não humanos que não é moldada pela vontade de subjugá-los, e sim de reconhecê-los como sujeitos de suas próprias vidas.

“O momento de acesso total ao corpo [de um animal] por meio da violência é um momento de prática de poder e de domínio absoluto. Isso significa que o poder/domínio é usado em sua forma mais extrema – para assimilar [por meio do consumo] partes do corpo do animal”, avalia.

E acrescenta: “A separação radical entre humanos e animais, que está profundamente inscrita na cultura humana há milhares de anos, carrega uma violência que nunca teve uma dimensão astronômica como hoje.”

O artista admite que sua intenção é subverter os bloqueios da consciência, favorecendo a oposição à exploração animal. “Essa utopia de um mundo sem exploração animal não se limita aos animais terrestres, como porcos, vacas e galinhas, mas inclui todos os outros animais, como peixes e insetos. Hoje simplesmente não há necessidade de comer animais”, defende.

Para saber mais sobre o trabalho do artista alemão Hartmut Kiewert:

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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