Consumo de carne pode favorecer ainda mais o coronavírus

Christian Drosten: “Os coronavírus são propensos a trocarem de hospedeiro, e criamos essas oportunidades por meio do uso não natural de animais – a pecuária"

Cientista alemão vê pecuária como fator de proliferação de coronavírus (Fotos: Andreas Pein/Jo-Anne McArthur/We Animals)

O jornal britânico The Guardian publicou no domingo (26) uma entrevista em que o cientista alemão Christian Drosten, especialista em coronavírus que dirige o Instituto de Virologia do Charité de Berlim, foi questionado sobre como as atividades humanas podem ser responsáveis pela proliferação de coronavírus de animais para pessoas. Drosten deixou claro que não é apenas a exploração e consumo de animais silvestres que favorece doenças como a covid-19:

“Os coronavírus são propensos a trocarem de hospedeiro quando há oportunidade, e criamos essas oportunidades por meio do uso não natural de animais – a pecuária. Os animais de criação são expostos à vida silvestre e mantidos em grandes grupos que podem amplificar o vírus, e então os seres humanos têm contato intenso com eles – por exemplo, por meio do consumo de carne”, explicou Drosten.

O virologista, que foi um dos primeiros a suspeitar ainda em 2019 que a doença viral já era um novo coronavírus, é hoje a principal referência em covid-19 na Alemanha, atuando como conselheiro da chanceler Angela Merkel, do presidente Frank-Walter Steinmeier e de autoridades dos governos estaduais e municipais.

Gado é hospedeiro original do coronavírus OC43

“Os camelos contam como gado no Oriente Médio [são criados e consumidos dessa forma] e são o hospedeiro do vírus mers e do coronavírus humano 229E – enquanto o gado é o hospedeiro original do coronavírus OC43”, acrescenta.

Este mês a BBC também está abordando no Reino Unido o favorecimento de doenças zoonóticas e pandemias por meio do consumo de carne no programa “Coronavirus Special”.

“Não é coincidência que [ainda] falemos sobre a gripe aviária e gripe suína. Essas são as duas espécies [de animais] mais criadas [para consumo] em sistema intensivo no mundo todo”, diz no programa documental o patologista veterinário Andrew Cunningham, especialista em doenças da vida silvestre.

“Milhares e milhares de animais amontoados em um mesmo ambiente é muito bom para um novo vírus emergir a partir de uma mutação”, enfatiza o especialista e deixa claro que o atual sistema agropecuário cria um cenário de perigosas possibilidades em relação a novas pandemias.

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