Na Semana do Meio Ambiente, Mostra Ecofalante traz 20 filmes premiados

Filmes estarão disponíveis on-line e de forma gratuita a partir de 1º de junho

A Semana Nacional do Meio Ambiente é comemorada na primeira semana do mês de junho. Pensando nisso, de 1º a 21 de junho, a Mostra Ecofalante – Especial Semana do Meio Ambiente disponibiliza uma programação especial on-line e para todo o Brasil por meio do site ecofalante.org.br.

O público terá acesso a 20 longas-metragens produzidos entre 2009 e 2021, além de um documentário inédito, “Lixo Mutante”,  de Dani Minussi e Adriano Caron, também exibido em avant-première nos dias 3, 4 e 5 de junho, às 19h30, no Centro Cultural São Paulo, com entrada franca. Após as exibições é realizado um bate-papo com o público. O filme discute a questão dos resíduos sólidos através de entrevistas e performance, além de propor novas relações entre sociedade, indivíduo e lixo.

A programação conta com títulos vencedores do Oscar, como “A Enseada”, e premiados nos festivais de Berlim e Sundance, como “Sobre a Violência”, “Máquinas”, “Era Uma Vez Uma Floresta” (2013), do francês Luc Jacquet (vencedor do Oscar por “A Marcha dos Pinguins”), e “Safári” (2016), de Ulrich Seidl – sobre turistas europeus ricos que participam de safáris com o objetivo de matar até espécies ameaçadas – o que causou impacto em audiências de diversos países ao traçar um perturbador retrato da natureza humana.

Nos dias 2 e 9 de junho, a mostra realiza dois debates on-line, transmitidos pelo canal da Ecofalante no YouTube (youtube.com/mostraecofalante). O primeiro trata da efeméride de 30 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Rio-92, e dos 50 anos do Relatório “Limites para o Crescimento”, também conhecido como “Relatório Meadows”, que foi o primeiro grande alerta da ciência para o fato de que o modo de vida da civilização ocidental não poderia ser sustentado pelos recursos planetários em longo prazo. Já o debate do dia 9 de junho, que reúne cineastas e diretores de festivais, discute o futuro dos festivais de cinema a partir da retomada pós-pandemia.

Em “Era Uma Vez Uma Floresta” (2013), Luc Jacquet nos introduz aos segredos e tesouros contidos numa floresta tropical. Através de belíssimas animações sobrepostas em cenários reais, somos convidados a testemunhar como nasce uma floresta tropical. Aqui, se documenta o crescimento de uma floresta, em uma jornada nas profundezas da selva tropical. Trata-se de um convite para um mundo de maravilhas naturais e beleza surpreendente. O filme fornece uma completa imersão sensorial no esplendor primitivo de um dos mais ricos mistérios da natureza, convocando o público a entrar, descobrir e se maravilhar com um universo de tesouros incalculáveis, enquanto une sua voz à crescente consciência da necessidade de preservar nosso mundo. A obra foi indicada ao prêmio César (o “Oscar” do cinema francês) na categoria de melhor documentário.

Do mesmo diretor de “Era Uma Vez Uma Floresta“, a programação da Mostra Ecofalante – Especial Semana do Meio Ambiente traz também “O Céu e A Geleira” (2015), filme selecionado para o Festival de Cannes. Desta vez, o cineasta se debruça sobre a trajetória de Claude Lorius, que passou a estudar o gelo antártico em 1957. A história da glaciologia ganha vida através de paisagens de tirar o fôlego e nas emoções evocadas, resultando em uma aventura científica profundamente humana.

No britânico “Trashed – Para Onde Vai Nosso Lixo?” (2012), de Candida Brady, o ator vencedor do Oscar Jeremy Irons se propõe a descobrir a extensão e os efeitos do problema global do lixo enquanto viaja ao redor do mundo para destinos contaminados pela poluição. O filme teve première no Festival de Cannes e venceu o prêmio especial no Festival de Tóquio.

Partindo do mau-cheiro de um pijama infantil, o diretor Jon J. Whelan promove em “Cheirando Mal” (2015) uma divertida, esclarecedora e às vezes quase absurda jornada entre varejistas, laboratórios, empresários e o Congresso dos EUA. Exibido em mais de 25 festivais pelo mundo, o filme recebeu diversos prêmios, incluindo o de melhor documentário no Festival de Cinema de Memphis e de melhor filme ambiental nos festivais de Sedona e Atlanta (EUA).

De forma descontraída, “Bag It” (2010), de Suzan Beraza, acompanha um ativista em uma viagem pelo planeta, em uma investigação sobre os efeitos do plástico nos rios, oceanos e até nos corpos humanos. A obra foi vencedora do prêmio do público no Festival de Cinema Independente de Ashland (EUA).

Selecionado para o Festival de Sundance e premiado no Festival de Berlim, “Sobre a Violência” (2014), de Göran Hugo Olsson, aborda o neocolonialismo atual a partir de materiais de arquivo recém-descobertos sobre a luta pela libertação do domínio colonial e da leitura de trechos do livro “Os Condenados da Terra”, de Frantz Fanon.

Eleito melhor documentário nos Prêmios Goya – a premiação mais importante do cinema espanhol –, o longa “Frágil Equilíbrio” (2016), de Guillermo García López, cruza três histórias de três continentes, articuladas pelas palavras de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. O filme trata de questões universais que ameaçam a humanidade, questionando as bases do mundo em que vivemos.

A produção austríaca “Safári” (2016), de Ulrich Seidl, causou impacto em audiências de diversos países ao traçar um perturbador retrato da natureza humana. Ele acompanha turistas ricos europeus em safáris para matar até espécies ameaçadas de extinção. Com estreia no Festival de Veneza, o filme foi selecionado para mais de 40 eventos pelo mundo, incluindo os festivais de Roterdã, Toronto e CPH:DOX – Festival de Documentários de Copenhagen.

Longa-metragem de estreia da premiada cineasta alemã Cosima Dannoritzer, “A Conspiração da Lâmpada” (2010) lembra que houve um tempo em que bens de consumo eram feitos para durar. E revela que, em 1920, um grupo de empresários percebeu que quanto mais seus produtos durassem, menos eles lucravam, decidindo então reduzir a vida útil dos produtos para aumentar as vendas. O filme foi laureado em eventos na Espanha e na China e sua diretora assina também outros títulos já exibidos em diferentes edições da Mostra Ecofalante de Cinema, como “Ladrões do Tempo” (2018) e “A Tragédia do Lixo Eletrônico” (2014).

Elogiado por sua exuberância visual e vencedor do prêmio de melhor documentário canadense no Festival de Vancouver, “Antropoceno – A Era Humana”, de Jennifer Baichwal, Nicholas de Pencier e Edward Burtynsky, percorre seis continentes e 20 países para documentar o impacto causado pelos humanos no planeta.

Dois dos longas-metragens programados são assinados pelo diretor suíço Markus Imhoof. Selecionado para o Festival de Locarno, “Mais Que Mel” (2012) investiga o desaparecimento de abelhas ao redor do globo, penetrando no fascinante mundo desses animais. Por sua vez, premiado no Festival de Berlim, “Eldorado” (2018) discute a atual crise de refugiados e revela a forma como eles vêm sendo  tratados nos dias de hoje no Mar Mediterrâneo, no Líbano, na Itália, na Alemanha e na Suíça.

No dinamarquês “A Escala Humana”, produção selecionada para o reputado festival CPH:DOX – Festival de Documentários de Copenhagen, o diretor Andreas M. Dalsgaard documenta como cidades modernas repelem a interação humana.

“Máquinas” (2017), de Rahul Jain, se passa em uma gigantesca fábrica têxtil na Índia, dando foco à vida dos trabalhadores, o sofrimento e o ambiente de onde eles dificilmente podem escapar. O longa venceu o prêmio de melhor documentário da mostra World Cinema do Festival de Sundance.

Dirigido pelo norte-americano Andrew Morgan (da série “Untold America with Andrew Morgan”), “O Verdadeiro Preço” (2015) teve première no Festival de Cannes e explora o impacto do sistema alimentar, tratando de temas como perda de solo, falta de água, emergência climática e pesticidas, além de dar visibilidade a pessoas determinadas a resolver o problema.

A produção de celulares é relacionada à guerra civil da República Democrática do Congo, considerada o conflito mais sangrento desde a Segunda Guerra Mundial, no documentário dinamarquês “Sangue no Celular” (2010), de Frank Piasecki Poulsen. Contemplado nos Cinema for Peace Awards (Alemanha), o filme revela como as fábricas desses aparelhos estão indiretamente financiando o conflito.

“Golpe Corporativo” (2018), de Fred Peabody, investiga como corporações e bilionários foram capazes de assumir gradualmente o controle do processo político nos Estados Unidos e em outros lugares. O “golpe de estado corporativo” que começou há 45 anos destruiu a vida de dezenas de milhões de norte-americanos que não conseguem mais encontrar trabalho que forneça um salário digno, amaldiçoados a viver em pobreza crônica. A obra foi selecionada para os festivais de documentário IDFA-Amsterdã e Hot Docs (Canadá).

A incrível jornada de três jornalistas holandeses que tentaram persuadir grandes corporações a acabar com o uso do trabalho infantil na indústria do chocolate é retratada pela diretora Benthe Forrer em “O Caso do Chocolate” (2016), resultando em um filme de ritmo acelerado, engraçado e inspirador. A obra circulou em festivais na Europa e nos Estados Unidos.

Dirigido pelo norte-americano Matt Wechsler, “Sustentável” (2016) foi exibido em mais de 40 festivais ao redor do mundo e venceu o Prêmio Humanitário no Accolade Global Film Competition de 2016. O filme investiga a instabilidade econômica e ambiental de nosso sistema alimentar, revelando os problemas ligados à exploração agrícola – perda de solo, falta de água, emergência climática, pesticidas.

Segundo o diretor do evento, Chico Guariba, a Mostra Ecofalante de Cinema completou dez anos em 2021 e é o festival que mais cresce no país. Para a programação especial da Semana do Meio Ambiente foi feita uma “seleção de alguns dos filmes internacionais mais importantes que passaram pela Mostra, inicialmente exibidos em São Paulo, com o intuito de levá-los agora a todo o Brasil”.

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