Mais de 100 milhões de tubarões são mortos por ano

O consumo de sopa de barbatanas tem custado a morte de aproximadamente 73 milhões de tubarões por ano (Foto: Brian Skerry/Boston Globe)

Não é incomum as pessoas definirem os tubarões como ameaças e até mesmo demonizá-los por atacarem alguém no mar. Porém o que muitos não sabem é que no mundo todo a quantidade total de ataques de tubarões em um ano dificilmente chega a cem, segundo informações do International Shark Attack File (ISAF). Além disso, em muitos casos, o ataque de um tubarão é uma ação de defesa, levando em conta que normalmente ele só ataca alguém quando, por alguma razão, se sente ameaçado. Outra informação relevante é que dos mais de 460 tipos de tubarões existentes no mundo, poucos são considerados agressivos e atacam pessoas.

De acordo com a organização internacional WildAid, o ser humano é uma ameaça muito maior aos tubarões do que o oposto. Prova disso é a estimativa de que 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano no mundo todo. Suas barbatanas, que são usadas no preparo de sopas em países asiáticos, sob a alegação de que supostamente trazem benefícios à saúde, são cortadas e eles são devolvidos ao mar onde têm uma morte lenta e dolorosa.

O consumo de sopa de barbatanas tem custado a morte de aproximadamente 73 milhões de tubarões por ano; e não há qualquer comprovação dos benefícios apontados pelos defensores desse hábito. Outro ponto desfavorável é que as toxinas que hoje contaminam os oceanos passam por biomagnificação no organismo dos tubarões, o que significa que o consumo de qualquer parte desse animal pode aumentar o risco de demência e envenenamento por metais pesados como o mercúrio.

Ainda assim, sopas de barbatanas de tubarão continuam a ser servidas em casamentos, restaurantes e reuniões de negócios na China, na Tailândia e em outros países da Ásia. A WildAid enfatiza que a caça de tubarões é uma grande ameaça ao meio ambiente, já que esses animais são vitais para o equilíbrio dos ecossistemas do oceano. Os tubarões são apontados por defensores da vida marinha como importantes indicadores da saúde do oceano, assim como os tigres são indicadores de uma floresta saudável e, com o impacto da caça desses animais, os ecossistemas marinhos podem entrar em colapso.

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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