Por meio de um recente projeto de lei, o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) está defendendo a proibição do comércio de peles de animais, assim como a criação de animais para tal fim. No entanto a proposta exclui o couro obtido por meio da pecuária.
“Milhões de animais são mortos do modo cruel todos os anos para a confecção de casacos de pele no mundo. Esses animais, incluindo visons, coelhos, chinchilas, raposas, linces e muitos outros, são criaturas extremamente inteligentes, que merecem ser tratadas como seres sencientes e não como itens de vestuário. Só na França são abatidos 70 milhões de coelhos por ano para esse fim”, frisa Tatto, autor do PL 276/2022.
Vale lembrar que no Brasil a prática de criação de animais para extração de pele não é proibida, desde que se tenha autorização do Ibama. O mesmo vale para a importação de peles de animais abatidos em outros países. “85% dos animais criados com esse objetivo são confinados em minúsculas gaiolas, em condições imundas e expostos ao frio e ao calor”, cita.
E continua: “Os métodos de abate mais utilizados são: asfixia, eletrochoque genital, injeção de veneno e quebra do pescoço. Estes processos são vantajosos do ponto de vista do criador, pois assim a pele não fica danificada.”
O deputado também destaca a crueldade da caça com armadilhas, considerando o sofrimento imposto aos animais, que podem agonizar por horas, dias ou até semanas.
“Muitos chegam mesmo a roer os seus próprios membros tentando salvar-se. Além de tudo isso, muitos dos animais que caem nas armadilhas não são as espécies visadas pela indústria. Menos de metade dos animais capturados com armadilhas chega a ser utilizada pela indústria peleira.”
Embora apresentada há pouco tempo, ou seja, em fevereiro, a proposta de Nilto Tatto já não tramita de forma independente porque foi apensada ao Projeto de Lei 684/2011, de Weliton Prado (Pros-MG) e Ricardo Izar (PP-SP).
O PL, que já tem mais de dez anos, visa proibir o uso de peles de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos em eventos de moda. A proposta atualmente aguarda parecer na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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