Phoenix e DiCaprio pedem que Biden não faça acordo com Bolsonaro em relação à Amazônia

Artistas acusam Bolsonaro de cumplicidade na destruição da Amazônia, permitindo que o fogo consuma milhões de hectares de floresta

Fotos: Getty

Leonardo DiCaprio, Joaquin Phoenix, Jane Fonda, Mark Ruffalo, Rosario Dawson, Katy Perry, Orlando Bloom, Alec Baldwin, Roger Waters, Uzo Aduba, Sônia Braga, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Alice Braga, Wagner Moura, Walter Salles e Fernando Meirelles são alguns dos artistas dos Estados Unidos e do Brasil que assinaram uma carta na terça-feira (20) dirigida ao presidente Joe Biden para que não faça acordos com o presidente Jair Bolsonaro em relação à Amazônia.

Eles pedem que Biden continue os diálogos com a sociedade civil, com os governos subnacionais, com os povos indígenas e as comunidades da bacia amazônica, incluindo a Plataforma Climática da Amazônia, antes de considerar pactos ou disponibilizar recursos.

Na carta, os artistas acusam Bolsonaro de cumplicidade na destruição da Amazônia, fazendo vista grossa para a grilagem e permitindo que o fogo consuma milhões de hectares de floresta tropical e ameace ainda mais os territórios indígenas.

“A proteção da floresta amazônica é essencial para as soluções globais de enfrentamento das mudanças climáticas. No entanto, a integridade desse ecossistema vital está se aproximando de um ponto crítico devido às crescentes ameaças à floresta e seus guardiões indígenas por parte do governo Bolsonaro, incluindo desmatamento, queimadas e ataques aos direitos humanos”, afirmam na carta, que contou com o apoio das organizações Amazon WatchArtists for AmazoniaWe Stand United e 342 Amazônia para mobilização dos artistas nos dois países.

Demandas de lideranças indígenas e sociedade civil 

O apoio dos artistas soma-se às demandas de lideranças indígenas e da sociedade civil brasileira e norte-americana que pedem que Biden escolha: ou a floresta amazônica ou Bolsonaro. O governo de Joe Biden vem mantendo há mais de um mês conversas a portas fechadas com a administração de Jair Bolsonaro sobre meio ambiente na preparação para a cúpula sobre o clima convocada por Biden para os próximos dias 22 e 23.

“No Brasil, o presidente apoiou publicamente a violação das leis ambientais, e o desmatamento aumentou drasticamente desde sua eleição. Ele também cortou recursos para a proteção dos povos Indígenas, no que o Conselho Indigenista Missionário, da Igreja Católica, chamou de ‘extermínio planejado’. Pedimos que o governo Biden intensifique os esforços diplomáticos para ajudar a proteger os ativistas do clima e os defensores dos direitos humanos”, afirmou Rosario Dawson na quinta-feira (15) no Fórum Climático da Amazônia.

“Nosso futuro climático depende da proteção da Amazônia e do apoio aos defensores indígenas da floresta. Tenho orgulho de prestar minha solidariedade, junto aos meus companheiros artistas e outros ativistas norte-americanos, aos defensores Indígena das florestas brasileiras, que demandam soluções justas e efetivas para a proteção e defesa da Amazônia, incluindo a manutenção dos combustíveis fósseis dentro do solo. Aqui nos unimos para exigir: ‘Presidente Biden: com Bolsonaro não há acordo!’”, advertiu Mark Ruffalo.

Os artistas signatários da carta afirmam que este é um momento decisivo para se unirem em uma só voz em apoio aos povos indígenas da floresta amazônica.

Artistas para a Amazônia

“Nos últimos dois anos, vimos aumentos históricos no desmatamento, incêndios e ataques a comunidades indígenas, florestais e ribeirinhas na Amazônia brasileira. Também vimos a crise humanitária e de saúde do Covid-19 se desenrolando em Manaus e se espalhando pela Amazônia e pelo Brasil, criando um epicentro global da pandemia. Essas crises poderiam ter sido evitadas, mas, em vez disso, foram exacerbadas pelas políticas e retórica do presidente Bolsonaro e seu governo. O governo Biden não deve confiar no Bolsonaro! Qualquer negócio ou fundo para proteger a Amazônia, a biodiversidade e o clima deve estar condicionado aos resultados e ao respeito aos direitos humanos”, afirmou Marcelo Furtado, conselheiro da Conectas Direitos Humanos e membro do Círculo Fundador de Artistas da Amazônia.

Amazon Watch

“Se o governo Biden leva a sério a demonstração de liderança na ação climática, incluindo o fim do desmatamento e outras ameaças na Amazônia, ele deve ouvir as comunidades indígenas e de linha de frente e a sociedade civil, não apenas o governo Bolsonaro. Em vez disso, encorajamos o governo Biden a considerar a Plataforma Climática da Amazônia e o Plano de Vida na Amazônia, desenvolvidos por organizações indígenas e regionais da Bacia Amazônica”, disse Leila Salazar-López, Diretora Executiva da Amazon Watch.

Histórico

A sociedade civil brasileira e norte-americana se mobilizou rapidamente nas últimas semanas após relatos preocupantes de que um acordo entre Estados Unidos e Brasil poderia ser anunciado na Cúpula de Líderes sobre o Clima que o presidente Biden promove nesta semana.

Em resposta, um sem-número de cartas e declarações impactantes foram publicadas rejeitando esse possível acordo: Cerca de 200 organizações representantes da sociedade civil e dos movimentos sociais brasileiros se manifestaram no dia 6 de abril, recebendo cobertura da mídia internacional.

Na última semana, legisladores brasileiros publicaram uma carta, assim como 15 senadores norte-americanos. As declarações reivindicam que o governo Biden rejeite qualquer acordo com o Brasil até que o desmatamento seja reduzido, os direitos humanos sejam respeitados e a participação expressiva da sociedade civil seja obtida.

Na última quinta-feira, vozes amazônicas do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela e Equador se uniram a legisladores, artistas, jovens ativistas pelo clima e um bispo católico dos EUA no Fórum Climático da Amazônia para exigir que o governo Biden concentre esforços na justiça climática e nos direitos humanos em suas políticas em prol da Amazônia. Os participantes promoveram a Plataforma Climática da Amazônia e o Plano de Vida para conter a escalada de pandemias que impelem a Amazônia e o mundo para o colapso.

 

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