A área sob alertas de desmatamento na Amazônia atingiu 4.793 quilômetros quadrados no acumulado de agosto a dezembro, recorde para o período na série histórica iniciada em 2016, segundo dados do sistema Deter-B, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na sexta-feira (6). Houve aumento de quase 54% em relação aos mesmos cinco meses de 2021.
Como a taxa de desmatamento na Amazônia é medida sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte, a destruição será herdada pelo novo governo na taxa oficial de 2023.
Mesmo com dados parciais (foram contabilizados 30 dias de dezembro até o momento) e influenciados por cobertura de nuvens (isso ocorre principalmente de novembro a abril), o resultado do Deter-B é classificado como alarmante e confirma a corrida pelo desmatamento que ocorreu no fim do mandato de Jair Bolsonaro, revertendo a tendência de queda registrada pela taxa oficial, do sistema Prodes, de agosto de 2021 a julho de 2022 em relação ao período anterior.
“Os alertas de destruição da Amazônia bateram recordes históricos nos últimos meses, deixando para o governo Lula uma espécie de desmatamento contratado, que vai influenciar negativamente os números de 2023. O governo Bolsonaro acabou, mas sua herança ambiental continua”, disse o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini.
Lábrea e Apuí, no sul do Amazonas, encabeçam o ranking de municípios com maior área desmatada de agosto a dezembro. As cidades ficam no eixo da BR-319 (Manaus-Porto Velho), obra da ditadura militar que o governo Bolsonaro retomou – a licença prévia para o asfaltamento da rodovia foi concedida em junho, atropelando pareceres de técnicos do próprio Ibama. O aumento do corte raso na região é explicado pela expectativa da obra, que corta o maior bloco de florestas intactas do bioma.
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