Cattle in a ranching area, next to a recently deforested and burnt area, in Candeias do Jamari, Rondônia state. The Amazon is still covered in smoke and torn by criminal and unrestrained destruction, according to overflights produced by the Amazon in Flames Alliance, organized by Amazon Watch, Greenpeace Brazil and the Brazilian Climate Observatory. The expedition took place between September 13th and 17th, in the cities of Porto Velho (Rondônia state) and Lábrea (southern Amazonas state). Gado em pastagem, ao lado de área desmatada e recém queimada, em Candeias do Jamari, Rondônia. A Amazônia segue encoberta pela fumaça e marcada pela devastação criminosa e sem controle. Foi o que comprovaram sobrevoos realizados pela Aliança Amazônia em Chamas, formada pelas organizações Amazon Watch, Greenpeace Brasil e Observatório do Clima. A expedição ocorreu entre os dias 13 e 17 de setembro, nos municípios de Porto Velho, Rondônia, e Lábrea, sul do Amazonas.
Em um recente relatório, a ONG Repórter Brasil destaca como o apetite global por carne, incluindo sua relação direta com a produção de grãos, cobra um preço ambiental alto no Brasil. No país, a pecuária bovina na Amazônia e as lavouras de soja e milho no Cerrado, cultivadas principalmente para servir de base para a alimentação de frangos, porcos e outros animais, estão entre os principais vetores do desmatamento e colocam em risco
ecossistemas singulares.
Ou seja, engana-se quem pensa no assunto, mas limita-se a uma consideração envolvendo somente o bioma amazônico. “O desmatamento de florestas e do Cerrado impacta diretamente a fauna desses locais, que sequer foi completamente catalogada. A cada dois dias, uma nova espécie animal ou vegetal é descoberta na área da bacia amazônica, uma das regiões mais biodiversas do mundo, que abrange territórios de oito países”, alerta o relatório “Floresta Racionada”.
“Já são conhecidas quase duas mil espécies de peixes, 60 de répteis, 35 diferentes tipos de mamíferos e cerca de 1,8 mil espécies de aves na Amazônia. O avanço de atividades produtivas sobre a floresta faz com que muitas dessas espécies sejam conhecidas já na condição de vulneráveis.
Um exemplo é o Titi de Milton (Plecturocebus Miltoni), um primata descrito pela primeira vez em 2014. A espécie, conforme o relatório, só existe no interflúvio dos rios Roosevelt e Aripuanã, entre os estados do Mato Grosso e Amazonas, região pressionada por queimadas e desmatamento. A destruição coloca o animal em risco de extinção, já que ele vive exclusivamente nas copas das árvores.
Embora o consumo de carne no Brasil seja menor do que nas nações mais ricas, país é um dos que mais contribui para o crescimento do consumo mundial, já que lidera as exportações de soja (respondendo por um terço da produção mundial, segundo a Embrapa) e de carne bovina e de frango. Além disso, está previsto que até 2030 o consumo de carne pode aumentar 12% na América Latina, conforme dados de outro relatório – “Os impactos ocultos da pecuária industrial intensiva”, da ONG Proteção Animal Mundial.
O relatório “Floresta Racionada” enfatiza ainda as consequências da alta demanda por proteína animal também em relação à intensificação de práticas de produção intensiva – como o fato de que hoje mais de 70% dos 80 bilhões de animais terrestres criados no contexto da pecuária são mantidos em sistema de criação industrial, o que também significa confinamento – e para esses animais é direcionada uma imensa quantidade da produção global de grãos.
“Além do tratamento cruel, os sistemas de confinamento estão relacionados a uma enorme pegada ecológica em sua cadeia produtiva”, enfatiza a publicação.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a produção e o processamento de grãos para ração, bem como o seu transporte, foram responsáveis por 31% de todas as emissões de gases de efeito estufa associados à agropecuária em 2021.
“Os desmatamentos da Amazônia e do Cerrado são os principais fatores de emissões de CO2 pelo Brasil. Em 2020, enquanto o mundo reduzia sua pegada de carbono em razão da baixa atividade econômica provocada pela pandemia de covid, as chamadas ‘mudanças de uso da terra’, que são a conversão de floresta e Cerrado em pasto ou lavoura, elevaram
em 24% o volume de gases de efeito estufa lançados na atmosfera pelo Brasil em relação ao ano anterior”, aponta o relatório da Repórter Brasil.
Já dados da Our World in Data, estimam que desde 1980 o volume de soja cultivado no Brasil, motivado pela alta demanda agropecuária, aumentou em 680%.
Vale lembrar que no Cerrado, a savana mais biodiversa do planeta e com alta proporção de
espécies que só ocorrem na região, o desmatamento já consumiu quase 50% da vegetação nativa, conforme dados do “Manifesto do Cerrado”, publicado pela ONG WWF-Brasil.
A Repórter Brasil alerta que a ciência demonstrou que as mudanças climáticas tornaram o Cerrado mais quente e seco. Esse desequilíbrio prejudica a sobrevivência de espécies nativas, tanto animais como vegetais, principalmente devido à redução das chuvas e ao aumento do período de estiagem. Por dependerem da água do orvalho e da chuva para sua sobrevivência, as abelhas costumam ser uma das principais afetadas por esse processo – problema que vem com um alerta extra, já que 50% das espécies locais só ocorrem ali, o que é confirmado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
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