Categorias: Opinião

Descarte de animais, uma consequência do sistema alimentar

Foto: A.O.

Na pecuária usa-se os termos “caído” ou “gasto” para animais que “devem” ser descartados. Dependendo do contexto ou localidade, a referência aplica-se aos mais diversos animais – vacas leiteiras, galinhas poedeiras, animais utilizados como matrizes reprodutoras, ovinos, etc.

Os termos são intrigantes. O primeiro porque a construção da ideia de “caído” suaviza a realidade, minorando sua gravidade. Ignora que o “cair” é uma imposição humana que suprime a vitalidade não humana a partir de métodos de subjugação, e que são aplicados para a eficiência do lucro. Se o animal é um “caído”, isso ocorre porque o interesse humano resultou nessa condição.

Um animal não torna-se “caído” sem que seja vítima de interesses humanos, independentemente de eu achar reprovável ou não o uso do termo eufemista. Logo ser “caído” não é um acidente, imprevisibilidade ou fatalidade. É indissociável das implicações de um sistema em que é a exploração que resulta num animal “caído”.

Já o animal “gasto” é uma contradição vocabular, porque como um animal pode ser “gasto” sendo um animal? Jamais diríamos que um ser humano foi “gasto” ou que um ser humano é “gasto”.

Não admitimos definir sujeitos humanos como “gastos”, “criaturas gastas” – porque significa atribuir-lhes status de coisificação. Também não diríamos isso sobre animais não humanos com quem temos algum tipo de convivência ou por quem compartilhamos estima ou consideração.

No entanto, “gasto” é um termo mais próximo da veracidade do que “caído”, já que explorar um animal pode ser visto também como “gastar” uma vida que não é nossa. Porém, esses termos são utilizados porque cumprem a função de definir um animal como inútil a uma função imposta que serve a um interesse econômico e de consumo.

Quando essa função transforma-se em disfunção, embora provocada e/ou agravada pelo sistema em que o animal está inserido, ainda persiste uma percepção de que essa realidade do animal não deve ser vista como uma consequência do sistema, mas uma implicação que, embora previsível, deva ser encarada como “natural” ou “intempestiva” em relação ao animal “gasto” ou “caído”, e que será morto.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • A carne de animais foi necessário nos primórdios da raça humana. Hoje alimenta uma indústria da crueldade ganância e o pior de todos a vaidade.

  • Ver a imagem deste animal acorrentado me corta o coração, olhem a posição dos pezinhos no chão duro. Devem sentir muita dor sempre são maltratados para a gente comer. Todo animal tem sentimentos afeto, percebem e sentem os maus tratos.

  • Já q o animal ser sacrificado deveria ser tratado com o mínimo de respeito, imagina o sofrimento deste pobre animal.

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