Devemos romantizar os animais para defendê-los? O que reconhecemos como qualidade não humana é o que deve nortear a defesa de sua não exploração, de seu não sofrimento em oposição ao predominante interesse humano?
Muitas referências em defesa dos animais são predicados, e muitos podem ser enumerados para argumentar que sua morte é um equívoco – sua beleza, sua expressão, sua mansidão, suas características que tendem a uma associação com a bonomia.
Então atribuímos aos animais esses valores em contraposição aos desvalores, que depreciamos por suas consequências violentas, como fator-perpétuo, tornando-os motores de referenciamento e reconhecimento.
Porém, se critico a morte de um animal subjugado para uso e consumo fundamentando minha posição com base no que chamo de qualidades, minha contestação é sobre o animal ou sobre mim? Ou se não for somente sobre um, mais sobre quem?
Se cito sua beleza, sua juventude (o “velho” deve morrer?) e os predicados que reconheço como justificativa para que não o matem, não estou projetando nesse animal um anseio que é a representação do agrado que substancio a partir do que interpreto como sua constituição?
E essa constituição são as minhas atribuições em relação a ele, que pode ser percebida ou não por outrem, mas que assim vejo pela maneira como assimilo sua forma.
Se olho para animais, reconheço beleza e digo aos outros que é uma “injustiça matá-los”, o meu senso estético, independente de ser totalizante ou não em relação a essa minha verdade, constrói a mensagem de que minha interpretação de beleza é um critério de direito em não ser subjugado.
O mesmo pode ser dito sobre outras qualidades ou atribuições de predicados. Podemos crer que não, mas o senso estético e de qualidades atributivas está bastante entranhado em nosso senso de defesa dos animais.
Basta considerar que o senso de compartilhamento-mor na defesa dos direitos animais sempre desloca mais atenção em relação a alguns animais – ainda que os que recebam menos atenção também estejam entre os mais explorados.
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