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Estudo revela como elefantes ajudam a combater o aquecimento global

A caça de elefantes visando a comercialização do marfim tem impedido esses animais de desempenharem um papel que Berzaghi qualifica como de um “formidável engenheiro do ecossistema” (Foto: Reprodução)

Um estudo publicado ontem na revista Nature Geoscience revela como os elefantes africanos da floresta (Loxodonta cyclotis) têm ajudado as árvores a estocarem mais carbono e, dessa forma, a combater o aquecimento global.

De acordo com o pesquisador Fabio Berzaghi, do Laboratório de Ciências Climáticas e Ambientais e do Clima (CEA), da França, eles descobriram que a redução da densidade do tronco florestal devido à presença de elefantes, que desbastam naturalmente as árvores, leva a mudanças na competição por luz, água e espaço entre as árvores – mudança que favorece o surgimento de maiores árvores com maior densidade de madeira.

“Essa mudança na estrutura da floresta tropical africana e na composição de espécies aumenta o equilíbrio a longo prazo da biomassa acima do solo”, informa o pesquisador. Eles concluíram que os distúrbios provocados pelos elefantes nas florestas africanas geram incremento na biomassa de 26 a 70 toneladas por hectare.

Por outro lado, Berzaghi explica que a extinção dos elefantes resultaria em redução de 7% da biomassa acima do solo nas florestas tropicais da África Central: “Esses resultados são confirmados por dados de inventário de campo. Nós especulamos que a presença de elefantes pode ter moldado a estrutura das florestas tropicais da África, o que provavelmente desempenha um papel importante em comparação com a floresta tropical da Amazônia.”

A interferência dos elefantes-da-floresta nas árvores de pequeno porte, que costumam ser desbastadas por eles, reduz o número de pequenas árvores e estimula o crescimento das grandes que armazenam mais carbono. Isso também modifica as condições da floresta, de acordo com o pesquisador.

“Esses resultados mostram que os grandes herbívoros desempenham papel importante na dinâmica das florestas tropicais a longo prazo. Na África Central, o ‘efeito elefante’ aumenta os estoques de carbono acima do solo em três bilhões de toneladas. Indiretamente, os elefantes contribuem para reduzir o CO2 atmosférico e nos ajudam a combater o aquecimento global”, acrescenta.

Porém, a caça de elefantes visando a comercialização do marfim tem impedido esses animais de desempenharem um papel que Berzaghi qualifica como de um “formidável engenheiro do ecossistema”. Até porque os elefantes também são conhecidos por transitarem pela floresta espalhando sementes que darão origem às novas gerações de árvores. “Nossos resultados trazem mais evidências do papel importante e único dos elefantes da floresta nas florestas tropicais da África Central”, reforça.

Referência

Carbon stocks in central African forests enhanced by elephant disturbance. Nature Geoscience (15 de julho de 2019). 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • A verdade é que mesmo que os elefantes não exercessem esse papel fundamental na Flora, ainda assim, ele seria um ser senciente dotado de sensações, emoções, vitais que garantem o direito dele de viver livremente como todos os outros animais humanos. Claro que toda a vida senciente seja, humana ou não, desempenha naturalmente a manutenção do ecosistema no mundo e tudo que existe só se mantém com os conservadores originais da flora.

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