A Organização das Nações Unidas (ONU) disponibilizou na última terça-feira (26) em seu canal no YouTube um vídeo que aponta que as monoculturas de animais nos aproximam de pandemias.
O vídeo cita como exemplo o desmatamento e o impacto causado na vida de animais silvestres que, em decorrência da intervenção humana, acabam tendo uma maior relação de proximidade. Isso pode facilitar a transmissão de doenças para espécies domésticas, como é o caso do gado criado em grande escala.
“Se você remover alguns desses [animais que atuam como] hospedeiros e criar uma monocultura de animais, eles provavelmente serão transmissores de doenças”, diz Bernard Bett, especialista em doenças infecciosas negligenciadas e emergentes do Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária.
Isso explica porque é importante proteger a natureza, já que a alta diversidade de espécies hospedeiras pode reduzir o risco de doenças – o que é chamado de efeito de diluição.
Embora as doenças zoonóticas sejam compartilhadas entre animais e pessoas, manter a natureza e a diversidade de espécies intactas nos protege de pandemias, segundo a ONU.
“Precisamos investir em conhecimentos científicos sobre como a atividade humana pode afetar potenciais zoonoses no futuro. Agora é hora de apreciar o papel da saúde do nosso planeta e tomar atitudes urgentes para conservar a natureza.”
Em abril, em entrevista à ONU, Bernard Bett declarou que a invasão de habitats naturais tem intensificado o surgimento de doenças zoonóticas e favorecido pandemias como a covid-19, que se tornou uma doença mais letal do que aquelas desencadeadas por outros tipos de coronavírus.
Ele também citou como exemplo a pecuária intensiva, em que animais são criados em “pequenos e densos ambientes”. “Esses animais que são frequentemente criados nas fazendas têm uma diversidade genética limitada. Populações geneticamente homogêneas são mais suscetíveis a doenças.”
Segundo Bett, esse sistema que é uma tendência crescente em um mundo cada vez mais populoso pode trazer consequências ainda mais graves. Ele também frisou que a utilização de áreas protegidas para pastoreio ilegal e caça de animais silvestres coloca humanos e animais domésticos em contato direto com ambientes potencialmente infectados.
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