No domingo, a advogada e ambientalista britânica Polly Higgins faleceu em decorrência de câncer. Ela se tornou conhecida internacionalmente depois de dedicar dez anos à luta para que o ecocídio fosse reconhecido como um crime internacional contra a humanidade.
A advogada, que era especialista em direito corporativo e trabalhista, desistiu de um emprego muito bem remunerado em Londres e vendeu a própria casa para lutar pela criação de uma lei internacional que responsabilizasse criminalmente executivos e políticos por danos causados aos ecossistemas.
A iniciativa de Polly Higgins poderia servir como uma ferramenta de grande importância para a preservação da flora, da fauna e para coibir ações que favoreçam prejuízos ambientais de grandes proporções; além de ser de muita valia enquanto recurso contra aqueles que desempenham ações que estão acelerando as mudanças climáticas e assim prejudicando a humanidade como um todo.
A advogada e ambientalista publicou um livro sobre o assunto intitulado “Erradicading Ecocide”, lançado em 2010 e que expõe o corporativismo e as práticas políticas que minam a proteção ambiental, e criou um fundo fiduciário para os chamados “protetores da Terra”. Até hoje o projeto defendido por Polly Higgins não foi reconhecido como lei. No entanto, ela sempre dizia que sua equipe daria continuidade ao seu trabalho.
Caso o ecocídio fosse reconhecido como crime contra a humanidade, ativistas acreditam que a lei poderia realmente fazer com que executivos de grandes empresas e políticos sejam responsabilizados por práticas criminosas contra o meio ambiente, diferente de hoje. E Polly Higgins acreditou nisso até o último momento. “Minha equipe jurídica continuará sem se intimidar”, avisou a advogada e ambientalista antes de falecer, segundo publicação do jornal britânico The Guardian.
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