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ONG explica como deixar de consumir animais reduz riscos de pandemias

80% das terras agrícolas do mundo são destinadas à produção de carnes, ovos e laticínios (Foto: Andrew Skowron)

Este mês, a organização ProVeg International publicou um artigo com 42 referências bibliográficas que corroboram como deixar de consumir animais pode favorecer a redução do risco de pandemias zoonóticas.

Segundo a entidade, o surgimento de uma nova zoonose é um processo altamente complexo, envolvendo muitos fatores. No entanto, há evidências convincentes de que determinadas atividades humanas, como a criação de animais para consumo, aumentam e muito a probabilidade disso acontecer.

“Afastar-se da agricultura animal e de produtos baseados em animais pode ajudar a preservar os ecossistemas e a biodiversidade, reduzir a interferência na vida de espécies de animais silvestres e eliminar as fazendas industriais que são como viveiros para o surgimento e propagação de uma pandemia zoonótica”, afirma.

E acrescenta: “Mudar para um melhor sistema alimentar global, mais resiliente e sustentável, que substitua produtos de origem animal por alternativas baseadas em vegetais ou agricultura celular está entre as melhores opções.”

Impacto nos ecossistemas

De acordo com a ProVeg, essa mudança fornece uma solução para vários problemas que não apenas atenuam os riscos de novas pandemias, mas também ajuda a minimizar grandes crises paralelas – como mudanças climáticas, fome mundial e resistência antimicrobiana em decorrência do uso excessivo de antibióticos na pecuária.

“A saúde humana está diretamente ligada à saúde do planeta e de todos os seus habitantes. Embora a maioria das pesquisas seja clara sobre a importância dos ecossistemas intactos, as atividades humanas não parecem refletir essa percepção. Em vez disso, há uma exploração e perturbação cada vez maiores dos ecossistemas, fazendo com que a diversidade de espécies e os habitats naturais dos animais diminuam de maneira contínua.”

A entidade frisa que as ações humanas já impactaram em mais de 75% da superfície terrestre, e a agropecuária, que segue em expansão em espaços naturais, onde tem agravado a perda de cobertura florestal, está desempenhando um papel central que só piora a situação.

Papel da agropecuária

“As regiões tropicais com alta biodiversidade são particularmente vulneráveis e afetadas por todos esses desenvolvimentos. As consequências são dramáticas: mais invasão e destruição de ecossistemas naturais significa maior exposição a vírus até então desconhecidos – e um risco aumentado de transbordamento zoonótico.”

A ProVeg reforça que a agropecuária é um dos principais impulsionadores da mudança no uso da terra no mundo todo, conforme as florestas são desmatadas para fornecer espaço para pastagens e cultivo de grãos que serão utilizados como ração para animais criados para consumo.

“Atualmente, 70% da água doce e 50% das terras habitáveis ​​são usadas para plantações e criação de gado enquanto mais de 80% das terras agrícolas do mundo são destinadas à produção de carne, ovos e laticínios. No entanto, os produtos de origem animal fornecem apenas 18% das calorias globais.”

Clique aqui para o ler o artigo completo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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