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Violência contra animais pode levar à violência contra seres humanos

“É imperativo que a polícia trate casos de abuso de animais com a máxima seriedade para a segurança de animais e seres humanos” (Acervo: Dog Couture Country)

No Reino Unido, e provavelmente em muitos outros países incluindo o Brasil, quem agride um animal não está tão distante de fazer o mesmo com um ser humano. Prova disso é um levantamento feito pelo jornal The Sun junto ao Ministério da Justiça britânico e divulgado este mês.

Segundo o tabloide, 13 assassinos, 22 estupradores de crianças e 99 culpados de crueldade infantil foram condenados ou advertidos por crimes de crueldade contra animais antes de cometerem crimes contra pessoas. Considerando os últimos dez anos no Reino Unido, 210 criminosos sexuais, 1581 pessoas condenadas por agredirem outras pessoas e 78 acusados de abusarem sexualmente de crianças praticaram algum tipo de violência contra animais.

Além disso, na última década, 569 acusações de posse ilegal de arma, 268 crimes de vandalismo e incêndio e 179 roubos envolveram pessoas antes denunciadas por crueldade contra animais. Um exemplo é o escocês Thomas Hamilton que matou 16 crianças e uma professora em uma escola primária em Dunblane, no conselho de Stirling.

Outros exemplos de assassinos conhecidos que antes torturaram ou mataram animais são James Bulger, Robert Thompson, Jon Venables e Ian Brady – condenado em 1966 por ter assassinado várias crianças ao lado da namorada Myra Hindley. Brady, que cumpria pena no Hospital Ashworth, faleceu no ano passado aos 79 anos.

“Especialistas em crimes acreditam que os infratores que começam matando ou torturando animais frequentemente passam a realizar ataques similares às pessoas. Diz-se que os crimes contra animais os insensibilizam para a crueldade e a dor que seus ataques causam”, informa a publicação.

Segundo a diretora de Programas Internacionais da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA), Mimi Bekhechi, não podemos ver a crueldade contra os animais como algo dissociável da violência contra humanos. Isto porque como os animais não podem denunciar os abusos, por serem vulneráveis e incapazes de falar, se tornam alvos fáceis de práticas que funcionam como “experiências” que têm precedido a violência contra seres humanos.

“Pesquisas em psicologia e criminologia mostram há muito tempo que incidentes envolvendo crueldade com animais aparecem regularmente nos registros de criminosos violentos que exibem traços psicopáticos. É imperativo que a polícia trate casos de abuso de animais com a máxima seriedade para a segurança de animais e seres humanos – a história mostrou o que acontece quando eles não fazem isso”, enfatiza Mimi.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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