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Há dois anos, “Os Seis de Saint Louis” escaparam do matadouro e deixaram uma grande lição

A história gerou tanta repercussão nos Estados Unidos que o santuário Gentle Barn conseguiu arrecadar mais de 400 mil dólares para comprá-los e garantir um lar e todos os cuidados necessários (Foto: The Gentle Barn Missouri)

Na semana passada completou dois anos que seis bois escaparam de um matadouro da Star Packing Co., em Saint Louis, no estado do Missouri (EUA), e deram uma lição de luta pela vida. Em 30 de março de 2017, Chico, Eddie, Houdini, Roo, Johnny Cash e Spirit arrebentaram três cercas, inclusive uma de ferro, e correram pelas ruas da cidade em busca de um refúgio seguro.

Durante a fuga, que foi transmitida por helicópteros de emissoras de TV, os animais conseguiram escapar da polícia e dos agentes de controle animal por cinco horas. Até a SWAT foi convocada para dar assistência na captura dos “Seis de Saint Louis”. Corajoso e demonstrando muita vontade de viver, Chico guiou seus irmãos o máximo que pôde, sempre cuidando para que nenhum deles fosse deixado para trás.

O seu interesse em evitar que fossem reduzidos a pedaços de carne chamou a atenção até mesmo de um público de consumidores de carne que durante as horas de fuga torceu para que os bovinos não fossem capturados. A operação mobilizou tantos profissionais que, mesmo depois de escaparem de várias situações em que a fuga parecia impossível, os animais acabaram definitivamente encurralados.

Com destino incerto, e ainda apontando para a probabilidade de serem abatidos, eles foram mantidos em confinamento em uma fazenda por algumas semanas, até que a intervenção popular e compassiva falou mais alto. A história gerou tanta repercussão nos Estados Unidos que o santuário Gentle Barn conseguiu arrecadar mais de 400 mil dólares para comprá-los e garantir um lar e todos os cuidados necessários.

Infelizmente, Spirit ficou bastante ferido ao final da fuga e faleceu pouco tempo depois. Em sua homenagem, os voluntários do santuário Gentle Barn Missouri plantaram um pessegueiro, perto de um lago que recebeu o nome de Lake Spirit, onde os outros animais do bando se reúnem.

Hoje, os sobreviventes, que têm três anos de idade e podem chegar facilmente aos 15 anos, vivem com galinhas, perus, porcos e cabras. “Chico foi corajoso, sábio, forte e mostrou ao mundo que quando lhes é dada uma chance, os bois sempre escolhem a vida”, destaca a gerente do santuário, Michelle Robertson, acrescentando que a cada ano realizam uma festa para comemorar o aniversário da grande fuga.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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