No domingo (2), a ministra do Departamento de Silvicultura, Pesca e Meio Ambiente da África do Sul, Barbara Creecy, anunciou que acabará com a indústria multibilionária de criação de leões em cativeiro.
A decisão veio após a publicação dos resultados de um estudo de dois anos, que resultou em um relatório de quase 600 páginas. Desenvolvido por um comitê consultivo especial nomeado pelo governo, o objetivo era revisar as políticas, legislações e práticas do país quanto à reprodução, à caça, ao comércio e ao manejo de elefantes, leões, leopardos e rinocerontes.
“O comitê identificou que a indústria de leões em cativeiro é um risco para a sustentabilidade da conservação de leões selvagens”, disse Barbara Creecy. “A recomendação é que a África do Sul não crie, reproduza ou mantenha leões e outros felinos em cativeiro para fins comerciais. Por isso, solicitei ao departamento que tome as medidas necessárias para garantir que isso aconteça”, acrescentou a ministra.
Atualmente, existe entre 8 a 12 mil leões e milhares de outros grandes felinos – incluindo tigres e chitas – que são reproduzidos e mantidos em cativeiro, em mais de 350 fazendas na África do Sul. Por outro lado, há apenas 3,5 mil leões que vivem livres, na natureza, conforme informações da organização Proteção Animal Mundial.
A entidade explica que nessa indústria os animais são reproduzidos e explorados exclusivamente para fins comerciais para alimentar a demanda do turismo interativo (como acariciar filhotes), da canned hunting (caça de animais em cativeiro, que ficam em uma área cercada, sem conseguir escapar), do comércio de ossos de leões e da exportação de animais vivos.
“Milhares de leões nascem em cativeiro na África do Sul e enfrentam uma vida inteira de sofrimento. Esse movimento do governo africano é corajoso e é o primeiro passo para que se comprometam com uma mudança significativa e duradoura. É uma vitória para a vida selvagem”, comentou Edith Kabesiime, gerente de campanha de animais silvestres da Proteção Animal Mundial na África.
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