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Animais cada vez mais jovens são enviados para os matadouros no Brasil

O aumento é apontado como consequência da procura tanto no Brasil quanto fora do país de carne de bovinos mais jovens (Foto: Getty)

Animais estão sendo enviados cada vez mais jovens para os matadouros no Brasil. Isso é o que mostra uma análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em relação ao número de bovinos abatidos no primeiro trimestre de 2019.

Só nos primeiros três meses deste ano, 239.587 novilhas, ou seja, fêmeas com menos de dois anos de idade, foram abatidas somente no Mato Grosso, o que significa crescimento de mais de 58% em relação ao mesmo período do ano passado – em que foram abatidas 151.379 novilhas.

O aumento é apontado como consequência da procura tanto no Brasil quanto fora do país de carne de bovinos mais jovens e principalmente fêmeas. A justificativa mais comum é que a “carne é mais macia e de melhor qualidade em comparação com os machos”.

Alguns países pagam R$ 4 a mais pela arroba de bovinos mais jovens, o que significa que a expectativa de vida dos animais é pautada pelo mercado. Se há procura, os pecuaristas pesam o custo/benefício de abatê-los cada vez mais jovens.

Em geral, vacas também estão sendo abatidas mais cedo, conforme dados do IBGE que apontam crescimento de 3,2% em relação a 2018.

No MS programa estadual incentiva abate de animais mais jovens

No Mato Grosso do Sul, desde 2017 o Programa de Apoio à Criação de Gado para o Abate Precoce (Novilho Precoce) estimula pecuaristas a criarem e desenvolverem bovinos que possam ser abatidos mais cedo. Só no primeiro ano após a implementação, quase 800 mil animais foram abatidos com idade a partir de 20 meses. No entanto, a idade não é o critério primordial do programa, mas sim o peso – o macho deve render pelo menos 225 quilos de carcaça e a fêmea 180 quilos.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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