Imagine se hoje pessoas fossem submetidas à modificação para renderem mais no trabalho, para produzirem mais, trabalharem por muito mais horas, e não em seus próprios benefícios, e sim de um sistema que visa subjugá-las ainda mais.
E como consequência desenvolveriam problemas desconhecidos antes dessa modificação. Afinal, seria uma nova realidade que daria origem a uma série de potencializações que levaria à redução de sua chamada “vida útil”, sucedida pela “morte útil”.
Afinal, quando não fossem mais úteis ou desenvolvessem problemas, inerentes à modificação, seriam descartadas, privadas de continuarem vivas – e suas mortes resultariam em uma compensação para quem os subjugou – levando à prática de “corpos mortos comercializáveis”.
Isso é análogo à realidade legal e institucionalizada de bilhões de animais criados para fins alimentícios que são resultado do que chamam, usando de um eufemismo instrumentalista, de “aperfeiçoamento genético”.
O “aperfeiçoamento”, que é modificação imperativa, é criar um animal, que dissociado de ancestralidade e afastado de seu parente mais próximo na natureza, é condicionado a ser explorado muito mais do que seria em condições naturais, que não são as suas, já que sua própria existência só é possível a partir da inaturalidade.
Então como posso dizer que trazer animais ao mundo para fins alimentícios não é uma forma de violação/violência partindo da relação de propósito entre lucro/consumo? O “aperfeiçoamento” é “medida arbitrária de eficiência”, porque requer de um animal o que não poderia ser requerido se fosse uma existência natural (o que é uma impossibilidade por sua condição doméstica).
Logo seria indesejado por sua incompatibilidade com o sistema e suas configurações de demanda. Portanto, é o “aperfeiçoamento” que leva ao “ideal produtivo” e ao “comum” do desenvolvimento não humano forçado que impõe maior produtividade e imola ainda mais a vitalidade animal.
Se temos mais animais sendo criados a cada ano para fins alimentícios e morrendo cada vez mais cedo, isso só é possível por causa desse “aperfeiçoamento”, que hoje é a base da produção de alimentos de origem animal.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…