Artes Visuais

Artista evidencia o quanto não somos bons para os animais

Nascido em Liverpool, na Inglaterra, Mark Cawood é um artista conhecido entre ativistas dos direitos animais no Reino Unido. Inúmeras de suas obras abordam o quanto não somos bons para os animais. Ou seja, o impacto do domínio humano sobre outras espécies – que inclui desde animais criados para consumo até os retirados de seus habitats e submetidos aos nossos interesses.

“Em inteligência e consciência, os porcos são iguais aos cães, além de serem animais sociáveis que vivem em grandes grupos. Se você confinar um cão permanentemente em uma gaiola pequena demais para ele se virar, isso será considerado pela nossa sociedade como crueldade, mas esse é o tratamento padrão para os porcos que vivem em nossas fazendas hoje”, lamenta o artista.

Algumas obras de Cawood são viscerais e exploram a degradação não humana em nosso benefício enquanto outras revelam um romantismo taciturno – como a impossibilidade da liberdade. Participante ativo ou não dessa realidade, o espectador é conduzido a uma reflexão sobre as suas próprias responsabilidades em relação a outras criaturas.

A mão, diversas vezes representada no trabalho do artista, parece ter sempre um caráter simbólico atrelado à posse que decorre da subjugação, à opressão e ao descalabro da desconsideração. Afinal, enquanto espécie, somos as mãos que capturam, agarram, confinam e desvalidam a valoração da vida. Nos colocamos como mais e classificamos os outros como menos, tão menos que nos afugentamos na crença de que não merecem viver.

Sobre o seu trabalho, Mark Cawood, que estudou arte e design na Barking College, e mais tarde artes gráficas na Universidade do Leste de Londres, declara que as imagens são imprevisíveis, talvez até erráticas, e ninguém pode ter certeza do impacto que elas terão no espectador.

“A imagem tem o poder de evocar estados de espírito e sentimentos intensos, no entanto, apenas por um preço, deve permanecer compreensível, caso contrário toda a credibilidade é perdida”, enfatiza. Suas séries de pinturas costumam ser exibidas na Academia de Artes de Liverpool e também comercializadas para arrecadar recursos para instituições de caridade.

 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

1 semana ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago