Notícias

Belgas criam tapete a partir de lixo marinho

Segundo a Sedna, os tapetes de ECONYL têm maior durabilidade do que os tapetes convencionais (Foto: Divulgação)

A empresa belga Sedna está produzindo tapetes a partir de lixo marinho. Mas como isso é feito?

A empresa desenvolve um tipo de nylon regenerado a partir de redes de pesca e outros instrumentos ou objetos plásticos abandonados nos mares.

Segundo a Sedna, por meio da coleta desses materiais é possível criar um tapete de maior durabilidade e salvar animais como tartarugas, golfinhos e focas, já que isso ajuda a diminuir o número de animais que ficam presos em armadilhas “acidentais”.

E nessas armadilhas, eles acabam por morrer em consequência de sufocamento ou graves ferimentos causados por redes de pesca e outros materiais.

A empresa sediada em Ronse, em Flandres Oriental, na Bélgica, estima que a produção do tapete ECONYL Yarn já esteja contribuindo para salvar pelo menos alguns milhares de animais marinhos.

Além disso, no processo de produção do tapete também são reaproveitados tapetes velhos ou descartados que passam por processo de reciclagem.

A pesca fantasma afeta 69 mil animais por dia no Brasil

A pesca fantasma, que diz respeito principalmente às redes de pesca abandonadas ou perdidas no mar, atinge até 69 mil animais por dia no Brasil, chegando a 70% do litoral brasileiro, inclusive áreas de proteção ambiental como unidades de conservação.

As redes mutilam, sufocam, impedem a mobilidade dos animais e os matam. Entre os animais mais afetados no Brasil estão baleias, tartarugas-marinhas, toninhas, tubarões, raias, garoupas, pinguins, caranguejos, lagostas e aves costeiras.

Os dados fazem parte do relatório “Maré Fantasma – Situação atual, desafios e soluções para a pesca fantasma no Brasil”, publicado pela organização Proteção Animal Mundial.

No Brasil, mais de seis mil toneladas de redes de pesca são produzidas ou importadas por ano, e a estimativa é de que 580 quilos desses materiais são abandonados ou perdidos nos mares brasileiros diariamente – respondendo por grande parte do lixo marinho.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

2 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

1 semana ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

2 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

3 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago