Um boi fugiu do matadouro e caiu no fosso. Havia tanto medo que quando tentaram içá-lo começou a comer a terra do fundo do buraco. Queria atravessar doutro lado, apenas fugir da humanidade.
Olhos brilhavam no escuro – como par de lanternas. Ele continuava comendo, comendo a terra sem parar. Seu corpo se movia e as patas se afundavam na terra que não engolia – e mugia, mugia – levantava e cedia.
Era uma criança ainda, que fremia. Quanto mais ameaçavam se aproximar, mais ingeria e, aos poucos, a terra desaparecia. Não tão rápido – mas se esforçava e comia – medo da humanidade que descia.
Não queria subir – somente sumir. Se afundou na terra e engasgou – tossiu três vezes e sucumbiu. O carregaram para cima e o deitaram no descampado. A faca já não chegava onde a morte o levava.
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