Opinião

Brasil mata 128 mil porcos por dia

No país, são mortos pelo menos 5,33 mil suínos por hora, 128 mil por dia e 3,84 milhões por mês (Foto: Tras Los Muros)

Já se perguntou qual é o mamífero mais abatido para consumo no Brasil? Se pensou em porcos, você acertou. No país, são mortos pelo menos 5,33 mil suínos por hora, 128 mil por dia e 3,84 milhões por mês.

Mais de 46 milhões de suínos mortos por ano

Chegamos a esses números com base em cálculos amparados na soma de dados trimestrais de abate de animais disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística (IBGE).

No Brasil, tanto por fatores culturais de consumo quanto econômicos, o abate de suínos tende a subir nos últimos meses do ano. Em 2019, por exemplo, foram mortos 11,87 milhões de porcos de outubro a dezembro, um acréscimo de 600 mil em comparação aos 11,27 milhões de janeiro até março.

Não há como negar que se trata de um número surpreendente de mortes. Mais de 46 milhões de indivíduos de uma espécie mortos por ano para consumo é algo que faz pensar, considerando que toda essa matança tem como finalidade atender a um anseio não essencial.

Intercambiamos tipos de violência

Afinal, bacon, pernil, bisteca, copa-lombo, pancetta, ossobuco, maminha e costela de porco não são alimentos imprescindíveis à vida humana, além de, vários destes pedaços de animais disponíveis para consumo, serem há muito tempo associados ao desenvolvimento e agravamento de problemas de saúde.

Em uma simples ponderação, é fácil reconhecer que intercambiamos tipos de violência – contra os animais e então contra nós mesmos, como consequência de predileções que preservamos por dois fatores associáveis – costume e paladar (associado ao efêmero prazer).

Enquanto pensamos nisso, 88 porcos são mortos por minuto no Brasil. Você já viu caminhões transportando esses animais para o matadouro? Se sim, a capacidade pode variar de 86 a 144 suínos – o que significa que essas são as quantidades de porcos que deixam de existir a cada um ou dois minutos no Brasil.

Subestimamos a capacidade dos porcos

Ainda que inteligência não deveria servir como baliza na consideração ao direito à vida, mas a básica capacidade de senciência, é válido reconhecer como subestimamos os animais que matamos para consumo.

No caso dos porcos, por exemplo, o estudo “Pigs (Sus scrofa domesticus) categorize pictures of human heads”, publicado pelo Jornal da Sociedade Internacional de Etologia Aplicada, prova que os suínos não são apenas curiosos e têm boa capacidade de aprendizado, mas possuem uma boa memória de longo prazo.

Também conseguem enganar deliberadamente outros porcos e podem antecipar necessidades e intenções. “O experimento mostra que os porcos podem se lembrar de estímulos visuais e responder adequadamente”, informa a pesquisa.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • É uma tristeza a crueldade imposta a todos os animais! E não há maneira de as pessoas entenderem que muitas doenças aparecem pelo consumo de carne em exagero, é impressionante a ignorância que por aí vai. Estes animais têm uma vida horrível e uma morte igual, o ser humano é sem dúvida a pior espécie que existe neste belo planeta!

  • Recentemente eu recebi uma proposta de emprego em uma grande indústria de carnes, porém fui pesquisar sobre as condições desses animais nas fazendas até o abate, e fiquei chocada. Recusei a proposta mesmo sendo em uma área administrativa. Minha consciência não ficaria tranquila de saber que meu salário iria vir da matança de animais.Fiquei perturbada. Tenho consumido uma menor quantidade de carne e pretendo ser vegetariana quem sabe. Porco eu já tirei da minha alimentação. É repugnante o que acontece nas grandes fazendas industriais. Os animais especialmente os porcos são massacrados e tratados pior do que lixo.

    • Sou grande apreciador de carnes, de todas as espécies, não perco uma oportunidade de experimentar novos sabores. Sinto por aquelas pessoas que por motivo de saúde não podem ou tiveram que deixar de consumir.

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