Luciano Huck disse ontem (21) durante o Domingão que o desmatamento da Amazônia no Pará está diminuindo. Fiquei surpreso com a afirmação porque São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, são recordistas em desflorestamento e campeões em criação de gado no Brasil.
O país tem acumulado recordes de desmatamento, e o governo federal ocultou dados que deveriam ter sido obrigatoriamente divulgados no início de novembro.
No entanto, a ocultação foi uma forma de tentar “maquiar” a situação brasileira diante da COP26. Não há dúvida nenhuma de que a situação não tem melhorado, mas sim piorado.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou na semana passada que Pará, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia são responsáveis por mais de 87% do desmatamento na Amazônia Legal, e o Prodes, programa de monitoramento do instituto, identificou aumento de 22% em relação ao mesmo período de 2020.
O ano nem terminou e já temos 13.235 quilômetros quadrados de desmatamento. Para quem não sabe, São Félix do Xingu e Altamira totalizam milhões de bovinos (2,4 milhões só na primeira), e também são grandes emissores de CO2e.
É importante considerar que não há como reduzir o desmatamento enquanto é favorecido um cenário para a expansão da agropecuária, que já domina a maior parte das terras agricultáveis do país e mantém um rebanho maior do que a população humana brasileira.
Além disso, subestimar o impacto do desmatamento para o meio ambiente é ignorar que a saúde humana também depende da saúde ambiental.
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