Categorias: Notícias

Comitê médico exige que empresa de Elon Musk não realize mais experimentos cruéis com animais

Foto: Jeff Miller

O Comitê Médico pela Medicina Responsável dos Estados Unidos (PCRM) está exigindo que a empresa Neuralink, do bilionário Elon Musk, não submeta mais ratos, porcos, ovelhas e macacos a experimentos cerebrais invasivos e mortais.

“Até 2020, a empresa pagou US$ 1,4 milhão à Universidade da Califórnia, em Davis, para usar suas instalações, onde os experimentos removeram parte do crânio de macacos para implantar elétrodos nos cérebros dos animais como parte do desenvolvimento de uma ‘interface cérebro-máquina’”, informa o PCRM.

“Só recentemente, depois que processamos a universidade, os detalhes preocupantes dos experimentos começaram a vir à tona”, informa a entidade, presidida pelo médico Neal Barnard.

“Na denúncia, apontamos que a equipe da Neuralink e da UC Davis não forneceu cuidados veterinários adequados aos macacos moribundos; usou uma substância conhecida como ‘BioGlue’, que não foi aprovada para uso nesses experimentos e é amplamente conhecida por ser tóxica para o tecido nervoso; e falhou em prover o bem-estar psicológico dos macacos designados para o experimento.”

Conforme investigações do comitê médico, macacos usados no experimento eram mantidos isolados em gaiolas, tiveram hastes de aço aparafusadas em seus crânios e sofreram “trauma facial”, convulsões após os implantes cerebrais e recorrentes infecções nos locais dos implantes.

“Em alguns casos, a Neuralink e a UC Davis sacrificaram macacos porque a saúde dos animais se deteriorou muito. Embora a Neuralink não esteja mais trabalhando com a UC Davis, ela ainda está realizando experimentos em animais em suas instalações na Califórnia e no Texas.”

Segundo a entidade, eles tiveram acesso a centenas de páginas de registros públicos do financiamento de experimentos da empresa de Elon Musk na Universidade da Califórnia em Davis, e que revelam o sofrimento e morte dos macacos utilizados.

“Além disso, a Neuralink removeu imagens de vídeo da universidade pública em um aparente esforço para esconder evidências dessa crueldade”, diz o PCRM, que criou uma petição para pressionar a empresa a não realizar mais esses experimentos com animais e a investir em métodos de pesquisa que não sejam cruéis.

Saiba Mais

A Neuralink já admitiu que animais morreram em seus experimentos, mas nega crueldade animal.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago