CHORNOBYL, UKRAINE - AUGUST 18: Stray puppies play in an abandoned, partially-completed cooling tower inside the exclusion zone at the Chernobyl nuclear power plant on August 18, 2017 near Chornobyl, Ukraine. An estimated 900 stray dogs live in the exclusion zone, many of them likely the descendants of dogs left behind following the mass evacuation of residents in the aftermath of the 1986 nuclear disaster at Chernobyl. Volunteers, including veterinarians and radiation experts from around the world, are participating in an initiative called The Dogs of Chernobyl, launched by the non-profit Clean Futures Fund. Participants capture the dogs, study their radiation exposure, vaccinate them against parasites and diseases including rabies, tag the dogs and release them again into the exclusion zone. Some dogs are also being outfitted with special collars equipped with radiation sensors and GPS receivers in order to map radiation levels across the zone. (Photo by Sean Gallup/Getty Images)
No dia 26 de abril de 1986, a explosão do reator da Unidade 4, que espalhou materiais radioativos no meio ambiente, mudou a vida de milhares de animais que viviam em um raio de 30 quilômetros da Usina Nuclear de Chernobyl.
Após a tragédia, a União Soviética comandou uma evacuação de mais de 120 mil pessoas de Pripyat, no norte da Ucrânia, e das vilas vizinhas. Ninguém pôde levar nada, nem seus companheiros animais, que foram obrigatoriamente abandonados, mesmo com a resistência dos moradores.
No livro “Chernobyl Prayer: A Chronicle of the Future”, de 2016, a autora Svetlana Alexievich relata que os cães latiam e uivavam tentando entrar nos ônibus que partiam de Pripyat, mas os soldados do Exército Soviético os chutavam para longe.
“Eles correram atrás dos ônibus por muito tempo. Famílias desoladas fixaram bilhetes em suas portas: ‘Não mate nossa Zhulka. Ela é uma boa cadela.’” Como havia muitos cães, dispersos por toda Prypiat e por outras aldeias que faziam parte da Zona de Exclusão, uma parcela significativa sobreviveu, inclusive migrando para as florestas, onde desenvolveram capacidade de sobrevivência.
Com o tempo, os cães tiveram seus descendentes, e são esses animais que hoje povoam Chernobyl e a Zona de Exclusão. Há alguns anos, um homem foi contratado para capturá-los e matá-los, sob a alegação de que não havia recursos para cuidar dos animais. Ele se recusou a fazer o serviço.
Quem trabalha na localidade já está acostumado com a presença canina e reserva uma parte de sua refeição para alimentá-los. A estimativa da organização Clean Futures Fund, dos Estados Unidos, que ajuda cidades afetadas por acidentes industriais, é de que há mais de 250 cães vivendo em torno da usina nuclear, outros mais de 225 cães na Cidade de Chernobyl e centenas de cães nos postos de controle de segurança e em outras localidades da Zona de Exclusão.
“Os cães de Chernobyl foram expostos à raiva por causa de predadores selvagens”, informa a Clean Futures. Em Chernobyl, a expectativa de vida dos cães é bastante reduzida por causa da exposição à radiação. A maioria tem no máximo quatro ou cinco anos e poucos ultrapassam os seis anos.
Apesar de tudo, os cães que moram perto dos postos de controle têm cabanas feitas pelos guardas de Chernobyl. Com o tempo, eles aprenderam também que a presença humana pode significar sempre uma chance de ganhar comida. Prova disso é que vários podem ser vistos na entrada do Café Desyatka, onde normalmente esperam receber dos clientes um pouco de borscht, uma tradicional sopa de beterraba.
O trabalho da Clean Futures Fund também ajuda a levar alento aos animais. A organização montou clínicas na localidade para oferecer atendimento veterinário, incluindo um programa de vacinação e castração.
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