Opinião

Como podemos subestimar o sofrimento de um animal?

Não se pode menosprezar o sentimento de um animal diante do abate (Foto: Eyes on Animals)

Como podemos subestimar o sofrimento de um animal reduzido à comida, quando nós mesmos não estamos na mesma situação que ele? Não se pode menosprezar o sentimento de um animal diante do abate, a não ser que tenha sentido na pele o desespero da iminência do canibalismo ou de ser morto para tornar-se comida para ser de outra espécie.

O ser humano é embrutecido pela naturalização do destino terrível dos animais que são colocados à nossa mesa. Sobre isso, Voltaire cita como exemplo crianças que choram com a morte do primeiro frango que eles veem matar, mas riem da morte do segundo.

Quando comes um animal, e este animal padeceu em privação, há uma crença de que, ao ingerir seus pedaços, você consome também a energia concentrada naquela carne, o que não é uma energia positiva, já que todo animal abatido morre de forma não natural, sem chegar ao limite de sua existência.

Depois de ler a fábula “O Lenhador e a Raposa”, muitos se emocionam e vão às lágrimas pela morte do gentil animal golpeado pelo lenhador, mas não dividem a mesma emoção com o bezerro, que sem pai nem mãe agoniza como um órfão enquanto aguarda sua vez de ter o mesmo fim precoce determinado pela indústria.

Ensine seu filho a ser justo com os animais, e assim ele também será justo com os seres humanos. Mas se permite que ele seja pernicioso com os animais não humanos, provavelmente ele entenderá que não há problema em ser injusto também com os de sua espécie, já que o seu senso de justiça há de curvar-se ao seu ego.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • E,a maioria,contudo subestima!Muito triste,lamentável,desumano e difícil de entender o que não entendem:Essa falta de compaixão que seria o mínimo do máximo que deveriam entender e não compactuar com tais barbaridades.

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