Criar animais com finalidade econômica é sempre exploração. Se alguém nega isso, o fato de ser exploração não é anulado apenas porque acreditamos que não seja exploração. Basta ampliarmos nossa percepção sobre a implicação moral da prática e o que envolve do princípio ao fim.
Se um animal é criado em meu benefício, e sua vida deve ser pautada por isso, e considerando o que ele pode me proporcionar, o que interessa sou eu, minhas predileções – logo uma forma de exploração.
Tal predominância da minha vontade e interesse econômico é o que favorece indiferença em relação aos anseios que não são meus, assim como o tradicional ciclo de obviedade – condicionamento, violência (que também pode não ser explícita – ou pelo menos reconhecida dessa forma) e morte.
Quando um animal é criado para fornecer produtos, se o próprio não o é (assim sendo classificado como “fonte” ou “matriz”), também há uma relação de conveniência em que a vida do animal deve durar até o dia em que ele o deixa de beneficiar.
Quando tal dia chega é comum o abate ser o destino final, e quem o submete a isso qualifica tal prática como “um ato de misericórdia”, embora sua carne, se considerada como “com um mínimo de qualidade”, possa ser reduzida a subproduto, assim como seu couro (dependendo da espécie) se houver viabilidade e “não estiver avariado”.
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Isso é obvio mas absolutamente irrelevante para quem lucra às custas da exploração do trabalho escravo de animais ou pessoas. Fora de questão abrir mão de vantagens econômicas devidamente estabelecidas e sacramentadas por "tão pouco".