De acordo com o Instituto Centro de Vida (ICV), Cuiabá (MT) perdeu 17% de suas áreas verdes em três décadas, conforme informações disponibilizadas pelo Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil (MapBiomas). A área de mais de 55 mil hectares é equivalente a 714 vezes o Parque Mãe Bonifácia.
Nos últimos 50 anos, a população saltou de 103.427 habitantes para 607.153 habitantes, segundo o IBGE. Essa expansão populacional gerou demandas habitacionais intensas que, em muitos casos, foram atendidas por meio de ocupações e loteamentos irregulares – informa o ICV.
Atualmente, segundo dados da prefeitura, há 115 bairros legalmente reconhecidos no perímetro urbano. Neles, mais de 40% das localidades são consideradas como “assentamentos informais”. Obras de infraestrutura também são vetores de degradação do cerrado de Cuiabá.
Na obra do sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), prometida para 2014 e até hoje não concluída, foram retiradas 2,5 mil árvores. Já a Avenida Professora Edna Affi, que interligou o bairro Pedra 90 à região da Avenida Dante de Oliveira, tem sido há 10 anos forte vetor para o surgimento tanto de novos bairros ordenador quanto de ocupações irregulares.
“Nós observamos um avanço grande do impacto nas áreas de preservação permanente de rios e córregos, como o Rio Cuiabá e o Barbados que são bastante impactados por essas ocupações irregulares”, aponta Vinícius Silgueiro, coordenador de geotecnologia do ICV.
Ele lembra que a perda de vegetação é sentida por toda a população de Cuiabá, com as ilhas de calor. A perda de vegetação também impacta nos recursos hídricos e no abastecimento de água. A maior parte das 180 nascentes identificadas pelo Ministério Público Estadual na zona urbana está parcial ou totalmente degradada.
Localizada em plena convergência dos biomas Cerrado e Pantanal, banhada pelo rio de mesmo nome, pelo Rio Coxipó e outros 17 córregos, Cuiabá possui uma rica flora, que lhe conferiu o apelido de Cidade Verde. Mas hoje a capital de Mato Grosso tem o grande desafio de buscar o equilíbrio entre as necessidades de expansão urbana e aquelas que dizem respeito à qualidade de vida de seus moradores.
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