Nos últimos anos, alguns fatos têm contribuído para que a Dinamarca seja considerada um bom destino para veganos. O país, que tem uma população 37 vezes menor que a brasileira e uma extensão territorial de menos de 43 mil km² – mais de quatro vezes menor que a do estado do Paraná – conta com 499 restaurantes recomendados para veganos, segundo o Google Trends.
Embora o país ainda registre um alto consumo de alimentos de origem animal, pesquisa do Chef’s Pencil que avalia mudanças de hábitos e tendências defende que o veganismo está em alta na Dinamarca principalmente desde o ano passado, e isso também tem feito do país nórdico um destino com atrativos para turistas veganos.
Aplicativos como o “Quit Meat”, que se popularizou na Dinamarca, tem ajudado muitas pessoas que querem fazer a transição para o vegetarianismo ou veganismo. Os dinamarqueses também têm participado cada vez mais de manifestações como a do Dia Nacional dos Direitos Animais.
Uma proposta defendida em 2018 pela maioria dos vereadores de Aarhus, na região leste da Jutlândia, e que exigia oferta de alimentos à base de vegetais em instituições públicas, incluindo creches, escolas, hospitais e centros de atendimento aos idosos, também trouxe visibilidade internacional à Dinamarca.
Gro Jensen, membro da Câmara Municipal de Aarhus, disse que a intenção não é obrigar as pessoas a consumirem alimentos à base de plantas, mas sim estimular oferta de opções para uma população crescente que se preocupa com essa demanda.
Outro ponto que destaca mudanças é o interesse e investimento de empresas do país escandinavo na tecnologia Piñatex (de fibras de abacaxi) em vez de couro. Talvez o exemplo mais conhecido seja da fabricante Nature.
Vale lembrar também que o primeiro país europeu a banir o uso de animais em circos foi a Dinamarca após campanha endossada por mais de 50 mil defensores dos animais. O exemplo estimulou mais 14 países a trilharem o mesmo caminho.
E para combater as mudanças climáticas, Copenhagen usa água do mar em seu sistema de refrigeração distrital, reduzindo as emissões de carbono em até 30 mil toneladas por ano. O objetivo é expandir ainda mais o resfriamento distrital e contribuir para a meta de se tornar neutra em carbono até 2025.
Outras iniciativas na capital dinamarquesa incluem telhados verdes para prédios municipais; e um laboratório inteligente de energia da cidade que demonstra como a eletricidade, o aquecimento, os prédios com eficiência energética, as instalações elétricas e o transporte são integrados em um sistema otimizado.
Além disso, este ano a cidade sediou encontro do grupo C40 de Grandes Cidades para a Liderança Climática. Na ocasião, o prefeito Frank Jensen assinou um pacto que visa estimular a redução do consumo de carne em Copenhagen e promover alimentos à base de plantas.
Ponto negativo do país é a caça às baleias
Por outro lado, um dos pontos negativos da Dinamarca, ainda que haja pressão de ativistas dos direitos animais, é a caça às baleias nas Ilhas Faroe, onde a prática ainda não foi abolida. Por esse motivo, a organização em defesa da vida marinha Sea Shepherd qualifica a Dinamarca, assim como Noruega, Islândia e Japão, como nação baleeira pirata que viola leis internacionais e tratados implementados para a proteção dos oceanos para as futuras gerações.
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