Na semana passada, o procurador-geral da Austrália, Christian Porter, voltou a dizer que ativistas dos direitos animais que divulgarem dados de fazendas podem ser condenados a um ano de prisão, sob a alegação de que as informações podem ser utilizadas para promover perseguições e ameaças contra agropecuaristas e seus familiares.
A medida já havia sido considerada pelo primeiro-ministro durante os protestos realizados na Austrália no mês passado, quando Scott Morrison declarou que a Aussie Farms, organização responsável pela produção do documentário “Dominion”, disponibilizou em seu site um banco de dados com mais de 14 mil fotos, vídeos e documentos de investigações realizadas na Austrália, além de um mapa interativo que mostra a localização de mais de cinco mil fazendas industriais e matadouros em todo o país.
O objetivo, segundo a Aussie Farms, é mostrar que o sofrimento dos animais criados nesse sistema não se resume a exceções, fatos pontuais. A iniciativa é resultado de um trabalho de oito anos do cineasta e ativista Chris Delforce.
Ao disponibilizar os arquivos envolvendo as fazendas industriais e os matadouros, a organização argumenta que a intenção é forçar quem é do ramo a atuar com transparência, já que a realidade da cadeia de produção de alimentos de origem animal normalmente está distante dos consumidores.
“Acreditamos na liberdade de informação como uma ferramenta poderosa na luta contra o abuso e a exploração de animais. Defendemos que os consumidores têm o direito de saber da existência, localização e operações desses negócios”, justificou Delforce.
No entanto, a leitura feita pelo governo australiano é outra, e classifica a divulgação de dados de fazendas como uma ameaça à integridade e ao sustento de agropecuaristas e de muitos trabalhadores.
Morrison afirmou, segundo o 9News, que os fazendeiros “estão sendo alvejados da forma mais mercenária por uma organização que só pensa em si mesma e não nos danos reais causados à subsistência de australianos trabalhadores”.
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