Do que são feitos os animais que exploramos? E se pensamos naqueles destinados à morte pós-subjugação, quando considerados prescindíveis ou “inválidos”? A ideia da pouca ou nula utilidade é mortal, porque a humanidade determina que matar quem pouco serve é questão de “adequado senso de realidade”.
Os outros merecem morrer se a partir de suas vidas já pouco ou nenhum lucro podem oferecer. E se suas vidas são condicionadas à geração de produtos, quando pouco ou não mais, tornam-se eles os produtos (findos).
Porque não podendo expelir ou produzir o “resultado comum de interesse humano”, o fim de suas vidas é decretado como “mínimo de compensação”, “recurso final”, “lucro residual” ou “sobejidão”, e outros termos variáveis, que podem ser citados e não parecem ser sobre vidas que vêm e vão por imposição.
Quando chega-se a isso, e sempre chega, porque permitimos, os corpos não humanos que produziam são corpos produtificados pelo que já não produzem – e assim tem-se a manutenção da naturalização da morte de quem já não é “servível”.
Então os animais não humanos tornados meios de consumo são essas criaturas que a humanidade deixaria “viver mais” se pela eternidade gerassem produtos. Mas é uma impossibilidade, porque também transformam-se no decorrer do estar no mundo e perdem os “atributos” mais considerados financeiramente.
E tais transformações, que pouco são naturais, para não dizer pior, porque são antecipadas pelo condicionamento, encurtam suas vidas, e agimos como se eles fossem responsáveis pelas consequências do que lhes é imposto.
É como se disséssemos que aquilo que já não produzem ou pouco produzem é culpa deles e logo serão abatidos por isso, o que também estende-se ao que chamam de “ineficiência” envolvendo “animais para outros fins”. Os criamos para encurtar suas vidas, acelerá-las e matá-los quando conveniente.
Como já questionei, do que são feitos esses animais? De muito do que não pode ser visto atendo-se somente a tamanhos, formas, carnes, ossos e o que geram e expelem. São feitos de muita imaterialidade, que é tudo aquilo que mais deveria importar, como ação e reação de expressões do viver, mas hoje é o que menos importa.
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