Se olhamos no supermercado o preço de um produto de origem animal, podemos julgar se é um valor adequado ou não – se é caro, barato ou aceitável. A avaliação do produto resume-se ao valor monetário, ao custo-benefício. Podemos comprar? Devemos comprar?
O poder e o dever transitam pelo interesse conjugado à vontade, às predileções. O poder é sobre a condição financeira e o dever sobre o condicionamento cultural. Porque o dever estimula a percepção da necessidade que influencia a vontade e evoca o aperfeiçoamento do poder.
Mas o que é esse poder e dever se além da percepção unilateral e monetária de valor? O que é o custo-benefício? Se removo a etiqueta de preço e questiono sobre o custo, o que será citado?
O custo resume-se a quem nas etapas das chamadas cadeias de produção, processamento e comercialização visa lucro e, portanto, repassa seus custos aos consumidores? Não há outro custo? É somente sobre isso?
E se questiono sobre o custo para o animal não humano de quem originou-se um produto? Exploração é o primeiro custo não humano que, por interesse primário ou não, termina em morte. E, resultando nisso, a morte é o custo principal e final para o animal.
Mas o que a antecede? E as condições em que esse animal viveu? E a separação parental? E as mutilações e marcações? Que tipo de espaço foi-lhe oferecido? Desenvolveu enfermidades, adoeceu? E estresse, ansiedade e comportamento neurótico?
Recebeu antibióticos que não receberia se não fosse submetido à exploração? Foi impedido de manifestar comportamentos naturais? E a viagem a caminho do matadouro? E a obrigação de transitar por espaços de morte? E o medo e o desespero? E a experiência de ser pendurado e degolado? Não são custos?
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