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Entretenimento com elefantes: exploração animal e humana

Segundo a pesquisa, pelo menos 65% dos mahouts utilizam objetos de tortura para controlar os elefantes (Foto: Proteção Animal Mundial)

É comum até mesmo entre pessoas bem informadas a crença de que está tudo bem em usar elefantes como meio de entretenimento. Esse tipo de inferência normalmente se sustenta na ideia de que os animais são bem tratados, senão eles não seriam expostos aos turistas. Mas será que isso é verdade? Não é o que revela uma pesquisa concluída este mês.

O relatório publicado pela organização Proteção Animal Mundial, que tem como base uma pesquisa realizada pelo Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade de Chiang Mai, na Tailândia, mostra que elefantes e mahouts (montadores e domadores de elefantes) são explorados pela indústria do entretenimento com animais.

Os elefantes sofrem em decorrência das más condições de vida, já que afastados de sua natureza são condicionados a agirem de maneira que não condiz com sua vocação natural e suas necessidades básicas. Diariamente, os elefantes são obrigados a repetirem ações e movimentos simplesmente para agradarem turistas, além de carregarem muitas pessoas nas costas.

Para chegar “a um nível aceitável de interação com turistas”, muitos são adestrados com objetos de tortura como ganchos ou varas afiadas. Segundo a pesquisa, pelo menos 65% dos mahouts utilizam esse tipo de “instrumento” para controlar os elefantes.

Além do sofrimento imposto aos animais, os mahouts são mal remunerados e também costumam se ferir com frequência. De acordo com a pesquisa da Universidade de Chiang Mai, quem aceita esse tipo de trabalho normalmente é alguém que não consegue emprego no mercado convencional.

A solução, segundo a Proteção Animal Mundial, seria remanejar os elefantes para santuários e empregar os mahouts como cuidadores de elefantes, já que animais retirados há muito tempo da natureza necessitam de cuidados especiais:

“Ao contrário das atrações cruéis, atividades de observação de elefantes livres – que são menos invasivas e agressivas – oferecem benefícios significativos tanto para os animais, quanto para os mahouts. Ao invés de exercer domínio sobre os elefantes, os mahouts cuidariam deles.”

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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