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O couro é uma parte tão comum da cultura de consumo da humanidade que a maioria das pessoas não costuma refletir sobre o que significa consumir couro.
Por isso o escultor chinês Cao Hui desenvolveu uma série que leva o espectador a avaliar o seu papel como consumidor.
Afinal, couro é a pele de um animal abatido, um produto ou subproduto que não existiria fora da cadeia de violência contra criaturas de outras espécies.
Cao Hui não entra na discussão sobre um animal ter sido criado ou não para a obtenção de couro, mas sim o que o couro representa de maneira objetiva – a morte de animais.
Roupas, luvas, malas, sofás são alguns produtos que o artista chinês decidiu recriar explicitando, de maneira impactante, desconfortável e rica em detalhes, o que não vemos quando compramos um produto à base de couro ou revestido em couro.
Tudo nos parece tão agradável e atrativo aos olhos, em consequência da artificialidade proporcionada pelo sistema de produção, favorável a um tipo conveniente de dissimulação a partir de apelos estéticos, que não precisamos pensar sobre o que houve antes de um produto chegar às nossas mãos.
Mas Cao Hui faz questão de enfatizar tal realidade, destacando que o couro era parte de uma criatura senciente que, assim como nós, possuía órgãos, carne, sangue. Ou seja, um ser repleto de vida antes de ser reduzido a mais um dos subprodutos associados à matança de animais.
Até porque, mesmo quando o couro é “apenas um subproduto” resultante do abate de animais para alimentação, isso não muda o fato de que também contribuímos com essa violência.
Além disso, enviamos uma mensagem de que a pele de um animal pode ser arrancada para nos beneficiar. Então é justo reconhecermos que não há couro animal sem morte.
As esculturas de Cao Hui endossam essa mensagem a partir de fibras e resinas que imitam o couro, o sangue e outras partes de animais, como se recém privados da própria vida, evidenciando que estamos diante de partes de um cadáver não humano.
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