Artes Visuais

Pintora retrata sofrimento dos animais que exploramos

Obras de Amanda chamam atenção para a diversidade da privação, condicionamento, violência e morte que a humanidade impõe a tantas criaturas de outras espécies visando lucro, prazer ou conveniência

Influenciada pela arte em defesa dos animais de Sue Coe, há anos a pintora e ilustradora estadunidense Amanda Moeckel utiliza suas habilidades para expressar oposição à exploração animal na pecuária, testes de produtos, outros experimentos e entretenimento, além da caça.

Chamando atenção para a diversidade da privação, condicionamento, violência e morte que a humanidade impõe a tantas criaturas de outras espécies visando lucro, prazer ou conveniência, Amanda incita a seguinte reflexão: “Até quando continuaremos sendo tão arbitrários em acreditar e defender que está tudo bem em fazer o que fazemos?”

É comum os consumidores não sentirem-se culpados pelo destino imposto aos animais por ausência de consideração sobre responsabilidades. Afinal, quando uma pessoa não toma parte diretamente na violência contra criaturas sencientes, é mais fácil ignorá-la, ainda que seja responsável por financiá-la e endossá-la.

No caso dos animais abatidos, por exemplo, eles não estariam disponíveis em partes nos açougues se os consumidores não comprassem. Esta é uma das reflexões estimuladas pela pintura “The Passing”, em que Amanda Moeckel coloca um bovino vivo em frente a um pedaço de carne pendurado – como um confrontamento e um antes e depois que expõe uma ausência de empatia por hábito de irreflexão em relação ao que não é humano.

Percepção de estados e sentimentos não humanos

Em algumas de suas pinturas e ilustrações, ela retrata não apenas o destino de bezerros e vacas na indústria leiteira, mas também a percepção de seus estados e sentimentos diante da privação, separação, desamparo e iminência da morte.

O filho, considerado inútil nessa indústria é descartado primeiro, e a mãe mais tarde, quando deixa de ser considerada produtiva. E apesar do desespero, não há nada que possam fazer para impedir isso, já que estão ali em consequência de uma demanda de consumo.

Há obras da artista vegana em que não vemos o rosto ou face dos personagens humanos e não humanos, mas apenas suas formas, silhuetas, desenvolvidas com as mesmas cores – o que transmite uma ideia de despersonalização.

No caso da vítima, há o não reconhecimento de direito à vida, como se não fosse um animal com anseios, apenas um “produto”. No caso do seu executor, para privá-la da vida, há desconexão com emoções e sentimentos comuns que fazem de nós criaturas com capacidade de empatia e compaixão. É como se os dois não fossem quem são.

Galinhas poedeiras e animais em laboratórios

Galinhas poedeiras que passam suas vidas confinadas para atender predileções humanas por ovos, sendo submetidas a constantes situações de estresse e normalização do que é antinatural, também inspiraram Amanda Moeckel a conceber pinturas e ilustrações que questionam tal hábito.

Uma de suas obras sobre o tema evoca uma sensação de agonia, de que a saída daquele lugar ou realidade parece tão distante que precisamos fazer muito mais do que apenas observá-las em seu próprio sofrimento. Até porque suas vidas terminam quando deixam de ser produtivas e são enviadas para abate.

A situação de animais utilizados em experimentos científicos também é antagonizada por Amanda. Dois macaquinhos aterrorizados e ladeados por grades são um exemplo emblemático do que a humanidade é capaz de fazer com outras criaturas que considera inferiores e, por isso, acredita ter o direito de subjugá-las e utilizá-las o quanto for conveniente, ainda que isso signifique privação, dor e morte para esses animais.

Apesar disso tudo, Amanda apresenta um outro olhar sobre o tema. Exemplos são suas pinturas que evocam esperança, gentileza e retratam intervenções e resgates de animais, ou seja, atos em prol da libertação animal, assim como sua crença de que a empatia e compaixão pelos não humanos têm condições de crescer muito, principalmente baseando-se na percepção que as novas gerações são capazes de desenvolver em relação à importância dos direitos animais.

Acompanhe o trabalho de Amanda Moeckel:

Website

Facebook

Instagram

David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

Visualizar comentários

Posts Recentes

Plataforma vegana oferece acesso gratuito a 90 filmes

A plataforma vegana de filmes por streaming VegMovies está oferecendo acesso gratuito a 90 filmes…

12 horas ago

Chega ao Brasil colágeno vegano bioidêntico para produtos alimentícios e de beleza

Como muitos produtos dermocosméticos, incluindo as balas gummies, possuem em suas composições ingredientes de origem…

13 horas ago

O que leva alguém a trabalhar matando animais?

Há inúmeras respostas e inferências sobre o que leva a alguém a trabalhar matando animais.…

15 horas ago

Delivery vegano registra 70% de crescimento no Brasil

No primeiro trimestre de 2022, a foodtech de delivery vegano Veggi teve crescimento de 70%…

1 dia ago

Senado votará PL que proíbe uso de animais no ensino, pesquisa e desenvolvimento de cosméticos

Com parecer favorável do senador e relator Alessandro Vieira (PSDB-SE), o Projeto de Lei da…

2 dias ago

A pedido de consumidores, Argentina determina identificação de produtos veganos

O governo argentino anunciou esta semana a resolução 5/2022, publicada no Diário Oficial, que atualiza…

2 dias ago