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Estudo mostra como danos à Amazônia estão ajudando a aquecer o planeta

(Foto: Greenpeace)

De acordo com uma pesquisa realizada em parceria com a National Geographic Society e publicada na quinta-feira (11) pela Frontiers in Forests and Global Change, não há como negar que os danos à floresta amazônica estão ajudando a aquecer o planeta. A conclusão é baseada em uma análise inédita feita por mais de 30 cientistas.

A National Geographic deu destaque ao trabalho em uma reportagem publicada na semana passada, enfatizando que os pesquisadores expressam preocupação com o fato de que o aumento das temperaturas, a estiagem e o desmatamento estão reduzindo a capacidade da maior florestal tropical do mundo de absorver dióxido de carbono da atmosfera.

“Estudos recentes até apontaram que algumas partes da paisagem tropical já liberam mais carbono do que armazenam”, diz a publicação da National Geographic.

“As atividades na Amazônia, tanto naturais quanto humanas, podem mudar a contribuição da floresta tropical de maneira significativa, aquecendo o ar diretamente ou liberando outros gases de efeito estufa que provocam isso.”

O estudo frisa que o desmatamento pode alterar os padrões de chuva, favorecendo mais secas e aquecendo mais a floresta. “Inundações regulares e construção de barragens liberam o potente gás metano, assim como a pecuária, um dos principais motivos pelos quais as florestas são destruídas.”

Conter o desmatamento na Amazônia é uma necessidade

Em síntese, o estudo “Carbon and Beyond: The Biogeochemistry of Climate in a Rapidly Changing Amazon” avalia o impacto cumulativo de todas as fontes combinadas que estão interferindo no papel da floresta amazônica e favorecendo um grande efeito negativo que impacta no planeta. “A derrubada de floresta está afetando a absorção de carbono. Isso é um problema”, afirma o coordenador do estudo, o professor de estudos ambientais Kristofer Covey, do Skidmore College, de Nova York.

Segundo Covey, o dano pode ser revertido. Ele avalia que parar com as emissões globais provenientes do carvão, petróleo e gás natural ajudaria a restaurar o equilíbrio, mas conter o desmatamento na Amazônia, provocado principalmente pela pecuária, é uma urgente necessidade, assim como a redução da construção de barragens e aumento dos esforços para replantar árvores.

Se o desmatamento não desacelerar, a previsão é de que a situação possa piorar muito. A National Geographic lembra que a Amazônia armazena o equivalente a quatro ou cinco anos de emissões de carbono geradas pela ação humana – o que equivale a até 200 gigatoneladas de carbono. E quando essa capacidade é reduzida a consequência natural é uma maior contribuição à crise climática.

Apesar desse cenário, pouco tem sido feito para garantir que a floresta amazônica não seja comprometida ainda mais futuramente. “O desmatamento no Brasil explodiu nos últimos anos, atingindo um recorde de 12 anos em 2020, aumentando quase 10% em relação ao ano anterior”, cita a publicação.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

Clique aqui para ter acesso ao estudo completo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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