Spix's macaws Felicitas (L) and Frieda sit on a branch in their aviary at the association for the prrotection of endangered parrots in Schoeneiche, eastern Germany, on October 11, 2011. According to the association, the Spix's macaw is the rarest parrot species in the world. In the wild, the parrots are extinct since the year 2000, but they are conserved in breeding programs. Credito: PATRICK PLEUL / AFP PHOTO
Quatro espécies brasileiras estão entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo desta década, de acordo com um levantamento da BirdLife International. A instituição aponta ainda que uma quinta espécie, a emblemática ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro.
A eliminação desses animais também é considerada preocupante porque as aves desempenham importante papel no equilíbrio dos ecossistemas. Em pesquisa realizada ao longo de oito anos, a ararinha-azul, a arara-azul-pequena, o caburé-de-pernambuco, o limpa-folha-do-nordeste e o gritador-do-nordeste tiveram seu status de conservação revisado pela BirdLife International.
A ONG recomendou no ano passado que as espécies fossem acrescentadas à lista de extinções presumidas ou confirmadas, elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). “A gente está empobrecendo o planeta, mas não foi da noite pro dia”, lamenta Pedro Develey, ornitólogo e diretor-executivo da SAVE Brasil, instituição que representa a BirdLife no país.
Para o especialista, o fim das espécies brasileiras é o resultado de anos de degradação do meio ambiente e consequente destruição do habitat natural dessas aves, sobretudo na Mata Atlântica da região Nordeste.
Em todo o Brasil, o bioma — que cobria 15% do território nacional — sofreu perdas de 1,9 milhão de hectares no período 1985-2017, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. A extensão de floresta destruída equivale à área total do estado de Sergipe. A mesma organização estima que restaram apenas 12,4% das florestas originais do bioma no país.
O caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) era uma pequena espécie de coruja, com tamanho em torno de 10 cm, endêmica desse tipo de vegetação tropical úmida, bem como do estado que lhe dava nome.
Situação semelhante era a do limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), encontrado apenas em dois lugares em todo o planeta — o município de Murici (AL) e a Reserva Frei Caneca, em Jaqueira (PE). Nas duas localidades, também em trechos de Mata Atlântica, o animal foi avistado pela última vez em 2007 e 2011, respectivamente. O gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) também era endêmico das duas regiões.
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