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Fantasia carnavalesca com quatro mil penas de faisão é um retrato ordinário da falta de empatia

Destaque da Império disse que o “look” custou o preço de um carro popular (Foto: Celso Tavares/G1)

Ontem, em comemoração aos 124 anos do cinema, a Império da Casa Verde decidiu homenagear algumas produções da Disney no sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Bem antes do início do desfile, a destaque de carro Magda Moraes já havia exibido a sua fantasia de Malévola, com quatro mil penas de faisão, e fez questão de dizer, segundo o G1, que o “look” custou o preço de um carro popular.

Embora já existam alternativas sintéticas, há quem prefira, por uma “questão de luxo”, “diferenciação” ou “status”, continuar insistindo no uso de penas verdadeiras, o que estimula a criação e exploração de faisões e outras aves em cativeiro com a finalidade de submetê-las a um doloroso processo de depenagem.

No ano passado, a madrinha da Unidos de Vila Maria, Ana Beatriz Godoi, exibiu uma fantasia com 3,8 mil penas de faisão e declarou orgulhosamente que custou o valor de dois carros. Depois de receber muitas críticas, este ano ela optou por não usar penas, mas sim cristais. Isso é positivo.

Sem dúvida, em relação ao uso de penas verdadeiras no carnaval, um válido exercício de ponderação e empatia é imaginar como seria se alguém arrancasse os nossos cabelos. Não seria agradável, não é mesmo? Agora considere uma estimativa de que em anos anteriores os carnavais do Rio de Janeiro e São Paulo chegavam a usar até 19 toneladas de penas verdadeiras.

Será que anualmente quantos animais foram submetidos a um sofrimento desnecessário por causa do capricho humano? Muitos, mas a verdade é que não precisamos de números para entender que o uso de penas é injustificável. Afinal, os animais não devem ser sacrificados pelas predileções carnavalescas de ninguém.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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