No Pará, uma série de análises realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a WWF-Brasil identificou alta concentração de mercúrio em peixes no Rio Tapajós.
De 88 peixes de 18 espécies avaliadas, todos estavam contaminados. A causa, segundo o pesquisador da Escola nacional de Saúde Pública da Friocruz, Paulo Basta, é a utilização de mercúrio na atividade garimpeira, que tem promovido alterações de grande escala e com impactos socioambientais e ecossistêmicos.
Avaliando as consequências para o povo indígena Munduruku, que vive na região do médio Rio Tapajós, a pesquisa apontou que de cada 10 participantes pelo menos seis apresentaram níveis de mercúrio acima de limites seguros em consequência do consumo de peixes contaminados.
Segundo a WWF-Brasil, a contaminação é mais elevada em áreas mais impactadas pelo garimpo, em aldeias que ficam às margens dos rios afetados. O nível de ingestão de mercúrio chega a ser até 18 vezes superior ao limite seguro. Os peixes mais contaminados são de espécies piscívoras, que se alimentam de outros peixes.
“Nessas localidades, 9 em cada 10 participantes apresentaram alto nível de contaminação. As crianças também são impactadas: cerca de 15,8% delas apresentaram problemas nos testes de neurodesenvolvimento.”
O Rio Tapajós se estende do Mato Grosso até o Pará, desaguando no Rio Amazonas.
A coleta de dados realizada entre outubro e novembro deste ano contou com a participação de 200 moradores de três aldeias impactadas pelo garimpo – incluindo entrevistas, avaliação clínico-laboratorial e coleta de amostras para aferição de níveis de mercúrio.
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…
Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…
O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…
A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…
Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…
Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…