Em artigo publicado no site Abolitionist Approach, como parte da divulgação do seu último livro “Advocate for Animals! – An Abolitionist Vegan Handbook”, escrito em parceria com Anna Charlton, o professor Gary Francione, referência na luta pelo abolicionismo animal, assim como Anna, escreveu que desde o início dos tempos houve, no total, cerca de 110 bilhões de seres humanos que viveram e morreram:
“Nós matamos mais animais não humanos do que isso todos os anos. Pense nisso por um segundo. Nossa exploração de animais não humanos representa a violência em uma escala sem precedentes. Matamos o maior número de animais para a produção de alimentos – cerca de 60 bilhões de animais terrestres e pelo menos um trilhão de animais marinhos são mortos anualmente. E há muitos bilhões mortos todos os anos por outros motivos, como pesquisa biomédica, entretenimento e esporte.”
Francione declarou que uma coisa clara e incontestável é que a horrível e difusiva exploração animal não vai acabar logo. Segundo o professor de direito da Rutgers School of Law, de Newark, New Jersey, o problema subsiste no fato de que nos últimos 200 anos a defesa animal se concentrou no tratamento “desumano” dispensado aos animais.
Ou seja, os defensores dos animais fizeram principalmente campanhas para obter padrões de tratamento supostamente mais “humanos”; ou então se concentraram em combater práticas pontuais como o uso de animais para a extração de peles. Tal abordagem, de viés evidentemente parcial e mesmo especista, é vista por Francione como um equívoco que arranhou a superfície do problema, não chegou à base. A consequência disso é que as pessoas continuaram sentindo-se mais à vontade para continuarem explorando os animais.
“O movimento abolicionista animal, que surgiu na década de 1990, considera que o problema não é o tratamento, mas o uso. Não se trata de tornar a exploração mais ‘humana’. Não se trata de dar enfoque às peles de animais, que não são diferentes da lã ou do couro. O que envolve esse movimento abolicionista?”, questionou.
Para Gary Francione o abolicionismo é sobre a adoção de uma posição que defende estritamente os reais direitos animais sem fazer concessões. Ou seja, sem ser permissivo ou condescendente em relação às políticas bem-estaristas. “Mantemos essa posição, assim como rejeitamos a escravidão dos seres humanos como nossa propriedade. Só então eles [os animais] podem ser reconhecidos como pessoas não humanas. Abolição [animal] envolve uma clara e explícita rejeição da posição de bem-estar animal – a ideia de que é moralmente aceitável usar animais desde que os tratemos de forma ‘humana’”, argumentou.
Na perspectiva do professor Francione, para abolir a exploração animal como uma questão social é preciso abolir a exploração animal de nossas vidas individuais. Isso significa que, se acreditamos que os animais são moralmente importantes, é essencial tornar-se vegano. “Precisamos parar de comer, vestir e usar animais e produtos de origem animal na medida do possível. E devemos advogar o veganismo de forma criativa e não violenta, a fim de incentivar os outros a tornarem-se veganos”, enfatizou.
É justamente isso que Gary Francione e Anna Charlton abordam no livro “Advocate for Animals! – An Abolitionist Vegan Handbook”, definido pelos autores como um guia prático de como abordar o veganismo da melhor forma possível – com clareza e bons argumentos. A obra está à venda no site Amazon.com.
Referência
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…