No final de semana, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) em Glasgow, na Escócia, o secretário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fernando Camargo, disse que o Brasil tem condições de ensinar outros países a reduzir emissões de carbono decorrentes da agropecuária.
A declaração foi feita durante o Diálogo Forest Agriculture and Commodity Trade (FACT), quando Camargo afirmou que o Brasil está aplicando técnicas na agropecuária que convergem ou são amparadas pelo Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC).
Reforçando discurso já feito este mês pela ministra Tereza Cristina, o secretário também declarou que “a agropecuária é parte da solução” em relação às mudanças climáticas. “Através do diálogo FACT, podemos transformar essa máxima em realidade”, afirmou.
Enquanto há países reconhecendo que a solução depende de uma desaceleração na agropecuária, priorizando produções agrícolas mais sustentáveis, o Brasil está mais preocupado em impulsionar a pecuária, que já ocupa a maior parte das terras agricultáveis do país.
Ao mesmo tempo em que o governo fala em “auxiliar outros países em uma produção pecuária sustentável”, o Brasil teve um aumento nas emissões de carbono da agropecuária de 2,5% em 2020, atingindo 577 milhões de toneladas de CO2, o que significa 27% do total nacional de emissões, segundo dados do Observatório do Clima. Ou seja, isso revela incompatibilidade entre discurso e prática.
Além disso, em 2020, somente as emissões na Amazônia atingiram 782 milhões de toneladas de CO2e, ultrapassando até mesmo as emissões totais da Alemanha. De acordo com o Observatório do Clima, se a Amazônia fosse um país, seria o nono maior emissor do mundo.
No Site da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o Diálogo sobre Florestas, Agricultura e Comércio de Commodities é definido como uma colaboração entre 28 países no combate ao desmatamento e limitação do aquecimento global por meio do comércio sustentável de commodities agrícolas.
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