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Governo canadense quer reduzir dependência de produtos de origem animal

Fundo canadense está contribuindo como o desenvolvimento de produtos baseados em vegetais (Foto: Reprodução)

Ao contrário de países onde o lobby da indústria agropecuária normalmente inviabiliza o apoio do governo federal às iniciativas que oferecem alternativas para quem não deseja mais consumir produtos de origem animal, o Canadá prefere apostar no futuro e na diversidade – inclusive se projetando pra quem sabe se tornar líder na produção de alimentos baseados em proteínas de origem vegetal.

Segundo informações do The Globe and Mail, este ano o governo canadense criou um programa federal de 150 milhões de dólares destinados às empresas de pequeno e médio porte que investem em produtos baseados em vegetais. O objetivo é reduzir a dependência do país em relação aos alimentos de origem animal. Além disso, esse valor é apenas uma parcela de um fundo de 950 milhões de dólares voltados à inovação no setor de alimentos e manufatura.

Os 150 milhões de dólares estão sendo usados na criação de alimentos baseados em linhaça, cânhamo, aveia e leguminosas (como lentilhas, grão-de-bico, ervilhas e feijões), explicou Frank Hart, chairman da Protein Industries Canada Group, uma aliança de 120 empresas que desenvolvem alimentos à base de plantas, em entrevista à CTV News.

A pesquisa e os investimentos são impulsionados por mudanças nos hábitos alimentares da população e pela demanda por mais opções de fontes proteicas, de acordo com entrevista que o presidente da Saskatchewan Food Industry, Dan Prefontaine, que investe no desenvolvimento de alimentos baseados em vegetais, concedeu à CBC.

O CEO da Pulse Canada, Gordon Bacon destacou que os consumidores estão cada vez mais interessados em alimentos à base de plantas, o que tem relação com o crescimento do número de vegetarianos, veganos e de pessoas que querem consumir cada vez menos alimentos com ingredientes de origem animal.

“É uma combinação de uma mudança no sistema de processamento, uma mudança na consciência do consumidor e também uma mudança de custos”, enfatizou Bacon,  acrescentando que até mesmo empresas que até então só produziam alimentos baseados em carne e laticínios estão criando produtos baseados em plantas. A previsão de Frank Hart é de que o mercado global de proteínas baseadas em vegetais cresça 98% até 2050, chegando a 13 bilhões de dólares.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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