Categorias: Notícias

Joaquin Phoenix diz que a indústria pecuária está fazendo “greenwashing”

A entidade Animal Legal Defense Fund (ALDF) e o ator Joaquin Phoenix divulgaram este mês um vídeo expondo o marketing enganoso do “biogás”, que definem como um “greenwashing” que visa combater os anseios por uma desaceleração na produção pecuária.

Hoje, o “biogás” já é usado nos EUA, segundo a ALDF e Phoenix, como um pretexto para elevar e não diminuir a criação de animais para fins alimentícios, já que a produção de “biogás” está sendo baseada em resíduos animais.

Acredita-se que isso pode se transformar em uma tendência mundial para a pecuária garantir não apenas a manutenção do sistema como o aumento da criação de animais, alegando que o “biogás” é uma alternativa sustentável, de baixo carbono – o que é contraditório, já que a própria criação de animais na pecuária já gera grandes volumes de dióxido de carbono equivalente (CO2e).

Isso significa permitir que a pecuária lucre com a sua própria poluição. Nos EUA, por exemplo, a crítica da Animal Legal Defense Fund e de Joaquin Phoenix é também sobre os incentivos fiscais que estão sendo concedidos a esse tipo de produção por meio de políticas e legislações estaduais e federais, o que pode influenciar outros países.

“Créditos fiscais e outros subsídios concedidos à indústria incentivam uma maior consolidação e instalações ainda maiores que confinam milhares de animais. As operações de alimentação animal concentrada (CAFOs em inglês) não são regulamentadas, embora sejam conhecidas por serem altamente poluidoras”, frisa a ALDF.

“Há uma discussão que promete oferecer muito mais para sustentar esse setor. A indústria da pecuária industrial já é subsidiada em detrimento dos animais e dos contribuintes”, diz o diretor executivo do Animal Legal Defense Fund, Stephen Wells. “Precisamos acabar com esses subsídios, não permitindo que a pecuária lucre adicionalmente com sua própria poluição.”

O gás da pecuária industrial pode ser dissociado de sua origem a partir de termos como “biogás”, “gás natural renovável”, “biocombustível”, “biometano” e outros. Nas operações de alimentação animal concentrada, milhares de animais produzem bilhões de quilos de resíduos. As fezes e a urina são lavadas do chão usando centenas de galões de água várias vezes ao dia.

O escoamento é direcionado para lagoas de estrume – normalmente do tamanho de vários campos de futebol. À medida que os resíduos se decompõem, emitem metano e outros gases de efeito estufa e poluentes.

Os produtores de gás a partir da pecuária industrial usam digestores de metano – geralmente apenas grandes lonas estendidas sobre lagoas de esterco – para capturar e preparar o gás. O gás é então transportado através de um gasoduto para uma instalação para ser processado.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

3 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

1 semana ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

2 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

3 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago