O jovem Leonardo Clausi, de Curitiba, perdeu 48 quilos depois de adotar uma boa dieta vegetariana estrita. De 127 quilos, ele foi para 79 quilos em alguns meses. O desejo de mudança veio a partir de uma experiência na Chapada dos Veadeiros em 2016.
“Conheci a Kundalini Yoga, tive um insight e mudei do dia pra noite. Eu era obeso, adotei uma alimentação sem nada de origem animal, vi meus triglicerídeos descerem de 238 para 105 e meu colesterol LDL cair 70% em dois meses. Eu era o maior consumidor de carnes e laticínios que você pode imaginar”, relata.
Leonardo costumava frequentar churrascarias três vezes por semana, e ganhava até bebida de graça por causa da assiduidade. “Imagino que até hoje nas churrascarias que eu frequentava eles perguntam o que aconteceu”, diz e acrescenta que hoje tem uma alimentação baseada em arroz, feijão, grão-de-bico, lentilhas, granola, castanhas e salada.
“Não tem muita frescura”, garante. A mudança também influenciou a família. Na casa de seus pais o consumo de carne caiu em 60%. A surpresa foi tão grande que um dia o açougueiro ligou perguntando o que aconteceu, já que a família estava entre os melhores clientes.
A mãe de Leonardo foi uma grande apoiadora, e começou a pesquisar sobre a culinária vegana e a preparar inúmeros pratos sem ingredientes de origem animal. “Realmente nossa sociedade está muito adormecida”, comenta em referência aos nossos maus hábitos de consumo e à nossa relação com os animais e com o meio ambiente.
Clausi se tornou vegano em 7 de abril de 2016 e cita como referências os livros “World Peace Diet”, de Will Tuttle; “Comfortably Unaware”, de Richard Oppenmeyer e “Mad Cowboy”, de Howard Lyman. Este último narra a história de um ex-pecuarista que decide abandonar o consumo de animais e a agropecuária pela própria saúde e também por acreditar que os animais não merecem ser reduzidos a alimentos. “Todo mundo que quer se tornar vegano deveria ler os três”, sugere.
Desde dezembro de 2016, Leonardo Clausi, que é professor de Kundalini Yoga, administra o Santuário Agroecológico Bellatrix, com 98 hectares de mata atlântica, situado em Bocaiúva do Sul, no Vale do Ribeira, a 40 quilômetros de Curitiba.
“Quando comprei esta terra tinha pocilgas e granjas abandonadas. Foram as primeiras coisas que demoli. Aqui jogaram muito agrotóxico até 2010 e faziam uso indiscriminado de máquinas, além de descarte inadequado de lixo. Estou restaurando tudo e já plantei mais de 10 mil plantas nativas aqui. Estamos fazendo a adubação verde”, revela. A previsão é de que o santuário, que vai ser aberto à visitação, incluindo a realização de eventos e hospedagens, seja inaugurado em abril.
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