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Recusa de laticínios em permitir filmagens reforça suspeita de crueldade contra animais

A Arla alegou que a própria empresa e seus colaboradores são capazes de produzirem os vídeos mostrando essa realidade (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Na Dinamarca, os laticínios Arla detêm o controle de 90% da produção de leite e derivados. Considerando esse fato, a organização de defesa dos direitos animais Anima fez uma oferta equivalente a 30 mil reais para que a empresa permitisse a filmagem do processo de separação da vaca e do bezerro pouco tempo após o nascimento.

De acordo com o jornal britânico The Independent, a Arla recusou a proposta, o que claramente levanta suspeitas sobre o tratamento dispensado aos animais, já que se não houvesse nada de reprovável, a empresa não teria motivo para recusar tal proposta.

A Arla alegou que a própria empresa e seus colaboradores são capazes de produzir vídeos mostrando essa realidade, mas sem interferência externa. Informou também que no verão eles permitem visitas às fazendas e laticínios. No entanto, não negou que todo esse processo é controlado. Ou seja, em concordância com seus próprios interesses.

Com a rejeição da Arla, a Anima decidiu publicar anúncios em 11 jornais oferecendo o mesmo valor para que outros produtores de leite e laticínios permitam filmagens do processo de separação envolvendo vaca e bezerro na Dinamarca. De dez interessados, nenhum deles acabou, de fato, concordando. Essa preocupação em não permitir que a realidade da produção leiteira seja registrada levanta suspeitas sobre a crueldade contra animais.

Segundo a Anima, essa é uma realidade mundial, e filmagens independentes dariam ao público uma chance de testemunhar as práticas cruéis, ocultadas durante os passeios que são comuns no Reino Unido e na Dinamarca, mas que velam tudo que possa ser considerado um risco para a imagem da indústria leiteira.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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