Vidar Vaaer, mais conhecido como Ildjarn, é um músico norueguês que sempre destacou ter maior identificação com a natureza do que com a civilização. Preferindo o ostracismo a uma movimentada vida social, ele concedeu poucas entrevistas desde que começou a compor em 1992. Considerado uma figura enigmática da música underground norueguesa, Ildjarn tornou-se vegano aos 17 anos.
“Nunca toco em nada com leite, carne, peixe ou seja lá o que for [de origem animal]. Respeito os animais e os considero seres dignos de viver”, declarou em entrevista publicada em 16 de junho de 2012 no portal Death Metal Underground.
Vidar Vaaer também disse que o seu isolamento tem relação com o desrespeito dos seres humanos em relação aos animais. “Os animais estão no inferno [na Terra]. De qualquer forma, sigo minha consciência que é a minha estrela guia através da vida e, eventualmente, da morte.”
Minimalista, intenso e primitivista, Vaaer, que embora muitas vezes foi classificado como um sujeito antissocial, também é definido como alguém bastante amigável. Por alguns anos, ele esteve envolvido com a questão dos direitos animais na Noruega. “Os animais são merecedores da natureza”, frisou em entrevista ao site Mirgilus Siculorum em maio de 2003, e acrescentou que daria a própria vida para que os animais tivessem paz e pudessem vagar pela Terra sem medo dos seres humanos.
Para Ildjarn, os maiores problemas do mundo e da humanidade se devem ao fato de que os seres humanos não são leais a si mesmos e por isso estão destruindo o planeta. Como alguém que desde criança observa a natureza, ele vê com desgosto as transformações do meio ambiente como consequência da intervenção humana. E foi essa sensibilidade aguçada que o motivou a compor em homenagem àquilo que sempre existiu independente do homem – a natureza.
No álbum de música ambiente “Hardangervidda”, lançado em 2002 em parceria com seu amigo de infância Nidhogg, ele criou uma paisagem sonora do homônimo planalto montanhoso situado no centro-sul da Noruega, cobrindo parte dos condados de Buskerud, Hordaland e Telemark, um dos lugares mais belos da Escandinávia. O registro também remete à história dos dois músicos com o local frequentado por eles desde a infância, onde muitas vezes praticaram trekking juntos e sozinhos, hábito preservado até hoje.
Quando passeia pelas montanhas, Ildjarn espera não encontrar pessoas, mas somente animais, por quem ele garantiu ter incondicional respeito e admiração. “Tenho esse sentimento pujante em relação à natureza norueguesa, e eu quis capturar alguns desses sentimentos. Acho que as pessoas podem começar a entender o significado que a natureza tem para mim ao ouvirem o CD ‘Hardangervidda’ [que teve uma segunda parte lançada em forma de EP no mesmo ano]. É apenas um fluxo de paisagens em forma musical, criado ao longo de anos passando algum tempo na natureza. Não tem ideologia, é uma fuga de tudo que se relaciona ao homem [civilização]”, afirmou em entrevista ao Mirgilus Siculorum e ao Death Metal Underground em 2003 e 2012.
Ildjarn qualificou o álbum como um hino à natureza, com composições musicais que não têm nada a ver com o amor no sentido comum. “É importante entender que tudo [que faço] é sobre a natureza. Nunca usei drogas e álcool porque quero manter minha mente pura até o dia que eu morrer. Tenho tantas visões e pensamentos que não pertencem a este mundo que não preciso dessas coisas”, justificou.
Ao longo de sua trajetória musical iniciada em 1991, Ildjarn, que nunca se importou muito com visibilidade ou fama, desapareceu várias vezes. E cada hiato sempre gerou inúmeras especulações. Mesmo assim, o seu acervo baseado em composições criadas principalmente até a metade dos anos 1990, que vão do black metal à música ambiente, inclui muitos lançamentos autorais.
“Unknown Truths” e “Seven Harmonies of Unknown”, de 1992; “Ildjarn”, de 1993; “Minnesjord”, de 1994; “Ildjarn”, de 1995; “Det frysende nordariket”, de 1995; “Landscapes”, “Strengh and Anger” e “Forest Poetry”, de 1996; “Son of the Northstar”, de 2001; “1992-1995”, de 2002; “Minnesjord – The Dark Soil”, de 2004; “Nocturnal Visions”, de 2004; “Ildjarn 93”, de 2005; “Ildjarn is Dead”, de 2005; “Rarities”, de 2012; e “Those Once Mighty Fallen”, de 2013, completam sua discografia.
Saiba Mais
O nome Ildjarn é uma referência há um lugar na Noruega, onde Vidar Vaaer afirmou que é possível captar alguns dos sentimentos pagãos noruegueses.
Os primeiros anos do projeto Ildjarn, fundado em Telemark, no sudoeste do país, foram baseados em composições que remetem a uma combinação de metal extremo e hardcore punk.
Em 1992, Ildjarn tocou baixo na lendária banda norueguesa de death metal Thou Shalt Suffer com Samoth e Ihsahn, do Emperor. Ihsahn gravou os vocais de algumas músicas da compilação “Det Frysende Nordariket”, lançada por Vidar Vaaer em 1995.
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