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Liminar proíbe o abate de jumentos no Brasil

Inserido na cultura brasileira, os jumentos foram explorados como animais de carga por séculos (Foto: Reprodução)

A Frente Nacional de Defesa dos Jumentos garantiu esta semana uma liminar contra o abate de jumentos do Brasil, deferida pela juíza Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

“É mais um passo de sucesso na nossa luta. A autorização do abate de jumentos pelos governos federal e estadual é inaceitável, vergonhosa e lutamos para salvá-los do sofrimento no carregamento de peso e queríamos eles protegidos em santuários, mas estão sendo mortos depois de capturados e/ou vendidos para abate após transporte com imensos maus-tratos”, enfatiza a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos que preparou a ação contra a União e o Governo da Bahia.

Inserido na cultura brasileira, os jumentos foram explorados como animais de carga por séculos. Porém, recentemente passaram a ser considerados desnecessários para essa finalidade. Por isso, nos últimos anos alguns criadores de animais e representantes do governo brasileiro e baiano passaram a cogitar e a viabilizar o envio desses animais para os matadouros, inclusive aqueles que são abandonados pelos proprietários – o que é uma solução fácil e inadequada para um problema complexo, segundo ativistas dos direitos animais.

Além disso, o consumo da carne de jumento não faz parte dos hábitos dos brasileiros, até porque há uma relação de familiaridade e consideração que se perpetuou culturalmente em relação aos jumentos a partir do século 16. No entanto, a China que mata cerca de 1,5 milhão de jumentos por ano, seja para o consumo de carne ou para a utilização na medicina chinesa, tem dialogado com o governo brasileiro desde 2015, onde a criação de jumentos é uma tradição, na tentativa de intensificar a exportação desses animais com finalidade de abate.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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