De acordo com uma pesquisa realizada pela Hello Research sob encomenda da organização World Animal Protection (Proteção Animal Mundial), mais de 60% dos turistas brasileiros que frequentam atrações turísticas com animais veem algum risco nesse tipo de interação.
“56% dos entrevistados afirmam que acreditam totalmente no risco de transmissão de doenças no contato do ser humano com animais selvagens, seguidos por 42% que acreditam parcialmente, e 1% que não acredita e/ou não sabe”, informa a organização.
A pesquisa faz parte de uma campanha contra o uso de animais silvestres como entretenimento intitulada #MeDeixaSerSelvagem, que analisou os perfis e percepções dos turistas brasileiros entre agosto e setembro deste ano.
Os entrevistados são pessoas que em 2019 e 2020 viajaram ou têm intenção de viajar nos próximos três anos para destinos que oferecem animais como atrações.
“Ao serem questionados sobre a participação em atrações com animais selvagens, a maior parte dos respondentes disse que participaria mesmo com risco de transmissão, mas com restrições”, acrescenta a Proteção Animal Mundial.
Uma ausência de mudança comportamental mesmo diante do reconhecimento dos riscos é preocupante, segundo a organização, assim como o fato de muitos não se preocuparem em se envolver em medidas de combate a essas práticas.
“Além de gerar um enorme sofrimento a milhares de animais em todo o mundo, o comércio e a exploração dessas espécies pelas indústrias do turismo e entretenimento favorecem as contaminações por zoonoses e ameaçam a saúde da população”, diz o gerente de vida silvestre da Proteção Animal Mundial, João Almeida.
E continua: “A pandemia de covid-19, cujo vírus saltou de animais silvestres explorados para fins de alimentação, é o melhor exemplo disso, e nós precisamos aprender com a situação atual se quisermos evitar futuras pandemias. Para se ter uma ideia, nos últimos 30 anos, cerca de 70% de todas as doenças transmitidas de animais para humanos tiveram origem nos animais selvagens.”
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Animais correm o maior risco no contato com a maldade humana ou, na melhor das hipóteses, com suas extravagâncias e excentricidades nos seus passeios turísticos. Humanos deveriam ficar longe deles porque não aprenderam a ficar perto sem cair na na tentação de provoca-los, instiga-los, feri-los, amedronta-los ou "apenas" brincar com eles. Animais não são brinquedo de humanos que, às vezes, são palhaços.